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Eduardo Bolsonaro critica o PL pela participação em seu mandato cassado: “partido de Centrão”
Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos desde fevereiro, foi cassado pelo acúmulo de faltas na Câmara
19/12/2025 12h09
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Eduardo Bolsonaro - Reprodução: Agência Pública

Em transmissão ao vivo realizada nesta sexta-feira (19), o ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro (PL-SP) quebrou o silêncio sobre a perda de sua cadeira na Câmara, ratificada pela cúpula do Legislativo no dia anterior. Sob o comando de Hugo Motta (Republicanos-PB), a Mesa Diretora oficializou a destituição baseada no excesso de ausências, uma vez que o filho do ex-presidente permanece em solo americano desde janeiro, impossibilitado de comparecer às atividades presenciais.

Durante o desabafo no YouTube, Eduardo direcionou sua artilharia contra o presidente da Casa, vinculando a queda do mandato a um impedimento político ocorrido meses antes. “Eu sou estou sendo cassado porque o Hugo Motta, de uma maneira inédita, não aceitou que eu virasse líder da Minoria”, protestou ele, referindo-se à tentativa frustrada de suceder Caroline de Toni (PL-SC) na liderança oposicionista em setembro.

Na ocasião, a justificativa de Motta foi a inviabilidade de gerir um cargo de tamanha relevância estando fora do território nacional. Eduardo, contudo, rebateu a lógica administrativa: “Não é obrigação do presidente da Casa saber se eu estou nos EUA, no interior do meu estado, ou na minha cidade natal. É direito do líder não marcar presença”.

O ex-deputado também mirou o próprio partido e o suplente da Mesa Diretora, Antônio Carlos Rodrigues (PL-SP), responsável por subscrever os documentos que selaram o destino dele e de Alexandre Ramagem. Eduardo lamentou a indicação do colega de legenda para o posto estratégico: “Poderia ter colocado pessoas muito mais honradas, mas, enfim, esse tipo de coisa acontece”.

Ao comentar a possibilidade de o PL substituir o suplente — ideia proposta por Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) —, o ex-parlamentar alertou para um risco ideológico. “Se o PL não fizer isso, vai deteriorando essa questão do partido realmente ser de direita […]. Se o PL tiver poder para fazer algo e não fizer, outro partido vai preencher essa lacuna. Vamos ver como é que vai se desenrolar isso”, afirmou.

A crítica de Eduardo subiu de tom ao recordar que a sigla já havia evitado a expulsão de Antônio Carlos em agosto, mesmo após o parlamentar manifestar apoio a Alexandre de Moraes e reprovar Donald Trump. Para o filho "03" de Jair Bolsonaro, o partido flerta com o pragmatismo excessivo em detrimento de seus valores:

“Quando o PL não consegue riscar os chão, ele vai se transformando em qualquer coisa, menos em um partido político. Ele vai ficando com aquela cara de partido de Centrão, que coloca todo mundo ali dentro, não tem uma definição. Como é que você vai dizer que o partido luta pela liberdade quando um cara de dentro do partido vota para cassar um perseguido político?”