Uma manobra de bastidores ganhou força com o intuito de projetar o chefe do Executivo mineiro, Romeu Zema (Novo), ao posto de vice-presidente em uma provável chapa liderada por Flávio Bolsonaro no pleito de 2026.
De acordo com informações difundidas pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN, as tratativas são coordenadas pelo dirigente máximo do PSD, Gilberto Kassab, que recebeu Zema em solo paulista na última sexta-feira (19).
Dentro desse arranjo, o clã Bolsonaro e Kassab apoiariam a candidatura de Matheus Simões (PSD) ao Palácio Tiradentes daqui a dois anos. Como contrapartida, Zema se juntaria ao projeto nacional, consolidando a influência da direita no território de Minas, o segundo reduto de votantes mais relevante da nação.
O projeto político de Kassab é abrangente e inclui outras peças no tabuleiro:
Frente Alternativa: O lançamento de Eduardo Leite (PSD), governador gaúcho, à sucessão presidencial.
Equilíbrio Triplo: A estratégia visa manter o PSD relevante com Flávio Bolsonaro, com Leite e, simultaneamente, conservando sua participação na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.
Governo Federal: Atualmente, a legenda gerencia as pastas da Agricultura, Pesca e Minas e Energia. O pacto em debate não demandaria o desligamento imediato do partido da Esplanada dos Ministérios.
A entrada de Zema na disputa federal é interpretada como um motor para alavancar Matheus Simões. No momento, Simões amarga a quarta posição nos levantamentos de opinião, sendo superado por Cleitinho (Republicanos), Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB). A lógica é que o suporte bolsonarista a Simões poderia esvaziar a força de Cleitinho, que divide o mesmo perfil de eleitorado fiel ao ex-presidente.
No panorama brasileiro, Flávio Bolsonaro já teria garantido o suporte de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que parece inclinado a permanecer no governo paulista.
Ademais, a engrenagem política conta com o recuo de Ratinho Jr. (PSD) das pretensões presidenciais. O gestor paranaense estaria focado em conquistar uma cadeira no Senado e em viabilizar seu herdeiro político no estado, Guto Silva (PSD), que ainda não decolou nas sondagens locais.
Embora o cenário exija diversas acomodações e diálogos internos, as movimentações expõem uma direita em busca de reagrupamento estratégico para os próximos desafios nas urnas.