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Com apoio de Rússia e China, Venezuela acusa EUA de extorsão na ONU
A denúncia venezuelana foi reforçada pelo apoio de Rússia e China, que condenaram as ações americanas como intimidação e “comportamento de caubói” e defenderam o princípio da soberania nacional
24/12/2025 09h02
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Tajh Payne/Marinha dos Estados Unidos

O governo da Venezuela levou ao palco das Nações Unidas (ONU) uma queixa formal contra o que define como a mais brutal tentativa de extorsão financeira da história da nação. O protesto ocorreu nessa última terça-feira (23), em uma sessão do Conselho de Segurança convocada para mediar o crescimento das hostilidades com a Casa Branca.

A voz do Palácio de Miraflores na organização, o embaixador Samuel Moncada, acusou Washington de asfixiar o país com táticas coercitivas que atropelam a soberania regional e as leis globais. Segundo o porta-voz de Maduro:

“Estamos diante de uma potência que atua à margem do direito internacional, exigindo que nós venezuelanos abandonemos nosso país e o entreguemos […] Trata-se da maior extorsão de que se tem notícia em nossa história”.

A ofensiva diplomática ganhou força após o último sábado (20), quando um segundo navio petroleiro venezuelano foi retido por forças americanas nas águas do Caribe. Caracas classificou o confisco como uma prática de banditismo marítimo moderno, assegurando que o incidente terá consequências jurídicas em fóruns globais.

Alinhamento Global: O apoio de Moscou e Pequim

No debate dessa terça, o governo chavista contou com o suporte de seus principais aliados estratégicos. China e Rússia rechaçaram veementemente o que chamam de política de assédio dos Estados Unidos.

O diplomata chinês Sun Lei enfatizou que Pequim não aceita imposições unilaterais que firam a honra dos Estados, declarando:

“A China se opõe a todos os atos de unilateralismo e intimidação, e apoia todos os países na defesa da sua soberania e da dignidade nacional”.

O tom da Federação Russa foi ainda mais incisivo. O embaixador Vassily Nebenzia criticou a imprudência americana, sugerindo que tal postura ameaça a estabilidade de todo o Hemisfério Ocidental. Em suas palavras, as ações de Washington refletem um:

“Os atos cometidos pelos Estados Unidos violam todas as normas fundamentais do direito internacional. A responsabilidade de Washington também se evidencia nas consequências catastróficas dessa atitude de caubói”, classificando ainda o cerco como “uma agressão flagrante”.

Em contrapartida, os Estados Unidos sinalizaram que não recuarão. O embaixador Mike Waltz confirmou que o plano é secar as fontes de receita do regime, asfixiando especialmente a comercialização de óleo bruto.

A tese americana sustenta que Maduro chefia o chamado Cartel de los Soles, uma estrutura voltada ao narcotráfico internacional. Por esse motivo, os EUA mantêm uma recompensa de US$ 50 milhões pela prisão do líder venezuelano. Durante a reunião, Waltz reiterou que o objetivo é minar o suporte financeiro de um governo que Washington considera espúrio e vinculado ao crime organizado.

Diante da apreensão de cargas no mar, a Assembleia Nacional da Venezuela não tardou a reagir. Foi aprovada por consenso uma nova norma que pune com até duas décadas de cárcere indivíduos que colaborem com bloqueios comerciais ou atos de pirataria. O texto aguarda apenas a sanção presidencial para entrar em pleno vigor, servindo como uma barreira legal interna contra as sanções externas.