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Bloqueio de nervo frênico: Entenda os motivos para a nova cirurgia de Bolsonaro
Ex-presidente passa por bloqueio do nervo frênico para tratar soluços persistentes; saiba como ocorre o procedimento
29/12/2025 12h50
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Jair Bolsonaro - Reprodução: BacciNotícias

Após lidar com crises intensas de soluços na última semana, o ex-presidente Jair Bolsonaro precisou de auxílio médico especializado. No sábado (27), foi efetuada a interrupção temporária dos estímulos no nervo frênico direito. A etapa complementar, focada no lado oposto, está agendada para o começo da tarde desta segunda-feira (29).

O ex-presidente encontra-se sob cuidados no hospital DF Star, na capital federal, onde deu entrada inicialmente para uma correção de hérnia.

O sistema respiratório conta com um par de nervos frênicos que descem da área do pescoço até o diafragma, o grande motor da ventilação pulmonar. Quando esse músculo sofre espasmos automáticos e frequentes, ocorre o fechamento súbito da glote, produzindo o ruído do soluço.

Entenda o bloqueio do nervo frênico

Essa técnica consiste na injeção localizada de substâncias anestésicas para "desligar" momentaneamente os sinais elétricos que provocam os tremores no diafragma. Trata-se de um recurso de exceção, utilizado apenas quando terapias convencionais via oral falham.

A junta médica optou por essa estratégia após constatar que dosagens altas de fármacos não surtiam efeito contra as crises que assolavam o paciente diariamente há meses.

Como é feito:

  1. O método não é invasivo como uma cirurgia tradicional.

  2. Sob sedação, utiliza-se o ultrassom para guiar a agulha com precisão até o nervo.

  3. No caso específico de Bolsonaro, associou-se um corticoide ao anestésico para garantir uma eficácia mais duradoura.

Devido à importância do diafragma na troca de gases, o monitoramento dos batimentos e da saturação é rigoroso. A decisão de dividir o processo em dois dias serve para mitigar riscos respiratórios.

O especialista Mateus Saldanha, que comanda a intervenção, alertou que a dispneia (falta de ar) pode surgir como consequência do aumento da pressão interna do abdômen. Existe também a possibilidade de o fármaco alcançar o plexo braquial, o que poderia comprometer a mobilidade das mãos e braços por algum tempo.

Fluxo de Recuperação e Retorno

A saída da unidade de saúde está condicionada à resposta do organismo após a segunda fase do tratamento. O médico Claudio Birolini estima um período de monitoramento de pelo menos 48 horas.

Se o quadro evoluir favoravelmente, a liberação deve ocorrer na quarta-feira (31). Na sequência, o ex-político deverá ser reconduzido à custódia da Polícia Federal no DF, onde está detido por condenação relativa à tentativa de golpe de Estado.

Vale lembrar que o histórico clínico de Bolsonaro é complexo desde o atentado sofrido em 2018. Recentemente, em abril, ele enfrentou uma extensa operação de 12 horas para tratar uma obstrução no aparelho digestivo.