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Para a defesa de Martins, a prisão foi uma “medida de vingança” de Moraes
Ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso pela PF no início da manhã desta sexta-feira (2) por violar medida que o impedia de utilizar as redes sociais
02/01/2026 13h42
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Filipe Martins - Reprodução: NIlton Fukuda/Estadão

O advogado, Jeffrey Chiquini, responsável pela representação de Filipe Martins — antigo assessor de Jair Bolsonaro detido nesta sexta-feira (2) —, declarou que a custódia de seu cliente configura um ato de represália por parte do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Através de um vídeo divulgado na internet logo após a operação policial, o advogado de defesa sustentou que a determinação “nada mais é do que uma medida de vingança e para antecipar o cumprimento da pena pela condenação, embora ainda caibam recursos da condenação”.

No mesmo registro, Chiquini descreveu o ex-assessor como um “preso político” e vítima, “perseguido por esse regime autoritário”, referindo-se à postura da Suprema Corte. O advogado enfatizou:

“Alexandre de Moraes colocou em prática aquilo que ele deseja desde 2019. Felipe Martins é oficialmente um preso político, mais um perseguido por esse regime autoritário que se instalou no Brasil. Mas não vamos jogar a toalha, vamos continuar lutando, lutando por justiça e por liberdade”.

Até então, Martins cumpria prisão domiciliar com monitoramento por tornozeleira eletrônica desde o final de dezembro. Por ordem direta de Moraes, ele foi transferido para a penitenciária de Ponta Grossa (PR) nas primeiras horas do dia. A banca de advogados já prepara contestações judiciais.

A conversão para prisão preventiva ocorreu devido a um suposto desrespeito às condições impostas pela Justiça, especificamente a proibição à utilização de redes sociais. Segundo os autos, o ex-assessor teria acessado o LinkedIn no último domingo (29) para consultar contas alheias, ignorando a restrição vigente.

Filipe Martins é apontado nas investigações como peça integrante do "núcleo 2", sendo acusado de gerenciar a logística para uma tentativa de golpe de Estado. Em meados de dezembro, o Supremo o condenou a 21 anos e seis meses de detenção por cinco delitos distintos.