Notícias Geopolítica em crise
Após invasão na Venezuela, quais outros países podem estar na mira de Trump?
Trump fez diversas ameaças a outras nações na órbita de Washington. Colômbia, Cuba e Irã são algumas delas, além da Groenlândia
06/01/2026 12h42
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Presidente Donald Trump - Reprodução: Kevin Dietsch/Getty Images

A geopolítica sob a segunda administração de Donald Trump tem sido moldada por uma postura externa agressiva e expansionista. A recente captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores em Caracas, após uma investida noturna contra a residência oficial venezuelana, concretizou as ameaças de Washington e reaqueceu o debate sobre o domínio regional.

Ao justificar a manobra, o republicano resgatou os princípios de influência continental de 1823, agora rebatizados com um toque pessoal: a "Doutrina Donroe", que reafirma o controle absoluto dos EUA sobre o hemisfério.

Confira abaixo o panorama das tensões provocadas por Trump em diversas frentes globais:

Groenlândia: A Joia do Ártico

Apesar de já manter presença militar na Base Espacial de Pituffik, Trump almeja a soberania total sobre o território dinamarquês.

"Precisamos da Groenlândia do ponto de vista da segurança nacional", declarou ele a jornalistas.

O presidente justifica a cobiça alegando que a região estava "coberta de navios russos e chineses em toda parte". Além da posição estratégica para novas rotas comerciais com o degelo polar, a ilha é um tesouro de minerais de terras raras, essenciais para a indústria tecnológica e militar, onde a China hoje detém hegemonia.

Em resposta, o líder groenlandês Jens Frederik Nielsen classificou a pretensão como ilusória:

"Chega de pressões. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos às discussões. Mas isso deve acontecer pelos canais adequados e com respeito à legislação internacional".

Colômbia: De Aliado a Alvo

A queda de Maduro deixou o governo de Gustavo Petro em alerta. Trump, visando as reservas de petróleo e minerais colombianos, foi direto ao avisar que o presidente deveria "cuidar do próprio traseiro".

Acusando Petro de conivência com o narcotráfico, Trump disparou a bordo do Air Force One:

"Ele é dirigido por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos. Ele não irá fazer isso por muito tempo".

Ao ser questionado sobre uma intervenção similar à venezuelana, Trump foi lacônico e assertivo: "Para mim, parece bom."

Irã: Vigilância e Retaliação

Mesmo fora do eixo geográfico da "Doutrina Donroe", o Irã permanece no radar após ataques a suas bases nucleares no último ano. Trump alertou que mortes de manifestantes em protestos internos gerariam uma reação violenta de Washington:

"Estamos observando com muita atenção. Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que receberão um golpe muito forte dos Estados Unidos".

México e o "Golfo da América"

Em um gesto simbólico de poder, Trump renomeou por ordem executiva o Golfo do México para "Golfo da América". O presidente insiste que a gestão de Claudia Sheinbaum falha em conter os cartéis e o fluxo migratório, afirmando que "precisaremos fazer alguma coisa". Sheinbaum, por sua vez, já declarou que não aceitará tropas estrangeiras em seu país.

Cuba: A Teoria do Dominó

Para Trump, a ilha caribenha está prestes a desmoronar devido ao fim do subsídio petrolífero venezuelano, que supria 30% da demanda local.

"Não acho que precisamos de nenhuma ação. Parece que está caindo. Não sei se eles irão se manter, mas Cuba, agora, não tem renda. Eles ganhavam sua renda da Venezuela, do petróleo venezuelano".

Marco Rubio, Secretário de Estado e de ascendência cubana, reforçou o tom de ameaça ao sugerir que as autoridades em Havana deveriam estar apreensivas:

"Quando o presidente fala, é preciso levá-lo a sério".