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Após atentados do 8/1, governo desembolsa R$26 mi para ensinar democracia a agentes de segurança
Tal iniciativa decorre da falha de contenção observada naquela data em Brasília, onde guarnições não impediram a depredação das sedes dos Três Poderes, com episódios em que integrantes das forças “desistiram de lutar” ou facilitaram o acesso dos invasores
08/01/2026 13h26
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Atentado de 8 de janeiro - Reprodução: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Desde as investidas antidemocráticas de 2023, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, sob a gestão Lula, investiu uma soma superior a R$ 26 milhões visando instruir as forças policiais sobre a salvaguarda do Estado Democrático de Direito. Tal iniciativa decorre da falha de contenção observada naquela data em Brasília, onde guarnições não impediram a depredação das sedes dos Três Poderes, com episódios em que integrantes das forças “desistiram de lutar” ou facilitaram o acesso dos invasores.

O treinamento, batizado de “O Papel dos Profissionais do Sistema Único de Segurança Pública na Defesa do Estado Democrático de Direito”, foi estruturado logo após o vandalismo.

Embora o governo tenha focado no conteúdo pedagógico, analistas apontam desafios estruturais. O cientista político, Guaracy Mingardi, em resposta ao Pública, pondera que a educação isolada não resolve problemas de base, afirmando que “não é apenas uma questão de formação, tem a ver com a cultura institucional” e que o controle externo é mais eficaz que o ensino teórico.

O professor Lenin Pires classifica o aporte como “até barato”, sugerindo que, embora não mude mentalidades instantaneamente, o curso gera um “constrangimento” benéfico dependendo da postura do comando.

Já o promotor, Antônio Suxberger, destaca que o 8 de janeiro serviu como um alerta, pois a “captura de agentes do Estado em favor de pautas antidemocráticas” é um perigo acentuado pelo “uso diferenciado da força” dessas instituições.

Educação como Medida Corretiva e Penal

Curiosamente, a grade curricular oferecida aos agentes assemelha-se à imposta aos réus do 8 de janeiro que celebraram Acordos de Não Persecução Penal.

Este esforço educativo faz parte do Pronasci 2 e busca assegurar que a proteção da Constituição seja uma diretriz perene e inquestionável dentro das forças de segurança.