A tensão diplomática entre Bogotá e Washington atingiu um novo ápice após declarações contundentes do líder colombiano, Gustavo Petro. Em entrevista à BBC, o presidente manifestou o temor de que exista uma "ameaça real" de intervenção militar por parte da Casa Branca em território colombiano, sinalizando um rastro de instabilidade após a recente incursão dos EUA na Venezuela.
Para Petro, a atual postura de Washington ignora a soberania das nações vizinhas, tratando-as como extensões de um "império" americano. O presidente colombiano subiu o tom ao comparar as táticas do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) a "brigadas nazistas", referindo-se à intensificação das deportações e operações de controle migratório sob a gestão de Donald Trump.
Segundo o líder sul-americano, essa conduta agressiva pode ser o gatilho para que os Estados Unidos deixem de ser uma potência que "domina o mundo" para se transformarem em uma nação que acabará "isolado do mundo".
Apesar de uma ligação de quase uma hora na última quarta-feira (07) — descrita por Trump no Truth Social como uma "grande honra" e por assessores como uma mudança de 180 graus na retórica —, o clima de otimismo dissipou-se rapidamente.
A Pauta: Discussões sobre narcotráfico e a conjuntura geopolítica da América Latina.
A Ofensa: Trump reiterou ataques pessoais, pedindo que Petro fosse "cuidar do próprio traseiro", frase rechaçada com vigor pelo colombiano.
O Gatilho Militar: A sugestão de Trump de que uma investida na Colômbia "parece uma boa ideia" gerou protestos populares em diversas cidades colombianas em defesa da democracia.
Petro relaciona a agressividade americana a interesses energéticos, afirmando que a queda de braço na região — incluindo a captura de Nicolás Maduro — gira em torno de "petróleo e carvão". Ele defende que, se os EUA não tivessem rompido com o Acordo de Paris, a convivência global seria pautada por uma "relação muito mais democrática e pacífica com o mundo. E com a América do Sul".
Internamente, o governo colombiano vê com horror episódios recentes nos EUA, como a morte de Renee Nicole Good por um agente federal em Minneapolis. Para Petro, o ICE ultrapassou limites ao ponto de não apenas perseguir latinos, mas também "mata cidadãos dos EUA". Ele conclui com uma advertência: "Um império não se constrói ficando isolado do mundo".
Questionado sobre uma possível resistência a um ataque da maior potência militar do globo, Petro foi pragmático. Admitiu a ausência de tecnologias de ponta, como "defesas antiaéreas", mas ressaltou a resiliência histórica do país:
"Não se trata de enfrentar um grande Exército com armas que não temos... Em vez disso, contamos com as massas, com nossas montanhas e nossas selvas, como sempre fizemos."
No campo do combate às drogas, o presidente defendeu sua política de "paz total", alegando que o cultivo de coca está em desaceleração graças a uma estratégia que une ofensiva militar e diálogo para "desescalar a violência". Ele refutou as acusações de Trump — que o chamou de produtor de drogas — lembrando que luta contra cartéis há duas décadas, enfrentando o exílio de sua própria família por essa causa.