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Especialista afirma que Toffoli e Moraes deveriam se declarar suspeitos no caso Banco Master
Para Cleveland Prates Teixeira, o processo conturbado do Banco Master junto ao STF e TCU traz um risco sistêmico ao sistema financeiro brasileiro
12/01/2026 11h56
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: BBC News Brasil
Ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli - Reprodução: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Até metade do ano de 2025, o Banco Master operava longe dos holofotes da maioria dos cidadãos. Trata-se de uma instituição financeira de pequeno porte que, contudo, tornou-se o epicentro de um escândalo desencadeado por indícios de desvios bilionários. O caso revela esquemas que alcançam as esferas do poder legislativo e a cúpula do Poder Judiciário.

Para o economista Cleveland Prates Teixeira, docente da Fipe-USP e da FGV-Law, em resposta a BBC News Brasil, a abrangência da crise é alarmante.

"O que me chama atenção nesse caso é a capacidade de um sujeito que tem um banco pequeno de botar braço para tudo quanto é lado num ambiente político e institucional e contaminar isso", observa o especialista. "É isso que me assusta".

As críticas miram Daniel Vorcaro, o proprietário da instituição, que foi detido preventivamente em novembro durante as investigações sobre fraudes bancárias. Após doze dias de cárcere, ele passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica no final daquele mês.

Conflito de Competências: BC vs. TCU

A instabilidade institucional cresceu após a deflagração da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal e a decisão drástica do Banco Central (BC) de liquidar o Master para blindar o sistema econômico. No entanto, o início de 2026 trouxe um fato inesperado: o Tribunal de Contas da União (TCU) anunciou uma auditoria para escrutinar a decisão técnica do BC.

A iniciativa partiu do ministro Jhonatan de Jesus, ex-parlamentar, levantando preocupações de que o tribunal pudesse anular o encerramento das atividades do banco. Especialistas como Teixeira argumentam que o TCU não possui prerrogativa para intervir em decisões regulatórias estritamente técnicas da autoridade monetária, devendo limitar-se à fiscalização de recursos do erário.

Riscos da ingerência:

Reações e Ataques Digitais

A tensão transbordou para a web, com diretores do BC sofrendo agressões digitais coordenadas. A PF investiga se influenciadores foram remunerados para difamar a autoridade monetária enquanto blindavam a imagem do Master. Em resposta, 11 entidades do setor, encabeçadas pela Febraban, assinaram um manifesto em defesa do rigor técnico do Banco Central.

Pressionado, o ministro do TCU recuou na última quinta-feira (8), transferindo a análise da inspeção para o plenário do órgão, com julgamento agendado para 21 de janeiro.

O escândalo ganhou contornos ainda mais graves ao atingir os gabinetes de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Dias após a prisão do banqueiro, o ministro Toffoli — que já era relator de um recurso da instituição — atendeu a advogados do Master, trouxe o inquérito para o STF e impôs sigilo. Paralelamente, surgiram notícias de que ele teria compartilhado um voo privado com um advogado ligado à diretoria do banco para assistir a um jogo no Peru.

Com relação a Moraes, revelou-se que a advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, mantinha um contrato milionário com o banco. Embora o PGR tenha arquivado um pedido de investigação por falta de indícios de crime, o questionamento ético persiste.

Cleveland Prates Teixeira defende que ambos os magistrados deveriam se afastar dos processos. Ele cita sua própria experiência no Cade:

"Eu já fui membro de um tribunal administrativo, como conselheiro do Cade. Por muito menos, por eu frequentar a casa do presidente de uma empresa que tinha um caso lá no Cade e nunca ter conversado com ele sobre o assunto, eu me declarei suspeito".

Posicionamentos Oficiais

A assessoria do STF informou que a demanda foi enviada internamente, mas não houve resposta oficial até agora. Já p TCU, em nota, reafirmou seu papel constitucional de vigiar a governança de órgãos federais, destacando que, apesar da autonomia, o "Banco Central do Brasil (...) submete-se ao sistema constitucional de controle externo".