O autor Manoel Carlos construiu uma marca registrada na teledramaturgia brasileira ao repetir o nome Helena em suas protagonistas. Antes de consolidar essa assinatura, porém, escreveu uma novela de grande repercussão sem Helena e fora do Leblon, bairro que se tornaria cenário recorrente de suas obras mais conhecidas.
Exibida pela TV Globo em 1982, Sol de Verão teve como personagem central Rachel, vivida por Irene Ravache. A trama era ambientada em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro, e antecede a fase em que Manoel Carlos consolidou temas, conflitos e personagens recorrentes, sobretudo a partir dos anos 1990.
Na história, Rachel é uma mulher infeliz no casamento com Virgílio, interpretado por Cecil Thiré. O casal tem uma filha, Clara, papel de Debora Bloch. A rotina da protagonista muda ao conhecer Heitor, personagem de Jardel Filho. A relação começa marcada por antipatia, mas evolui para um romance ao longo da trama.
Em entrevistas, Irene Ravache destacou a força dramática da personagem e o contexto social da época. Segundo a atriz, Rachel representava uma mulher dos anos 1980 que não se sentia realizada no casamento e enfrentava dificuldades para se separar e buscar uma vida mais satisfatória. O fato de a protagonista não se chamar Helena, observou, tornou o papel uma exceção curiosa na obra do autor.
Sol de Verão entrou para a história da televisão brasileira por um episódio trágico. Jardel Filho morreu aos 54 anos, vítima de um ataque cardíaco fulminante, durante o feriado de Carnaval, antes da conclusão das gravações. Abalado, Manoel Carlos deixou o desfecho da novela a cargo do autor Lauro César Muniz.
Na narrativa, o personagem de Jardel desaparece sem explicações. A morte do ator marcou profundamente a produção e permanece associada à memória da novela. Irene Ravache costuma relatar que, décadas depois, o nome de Jardel Filho ainda surge em conversas sobre Sol de Verão.
Atualmente, a novela integra o catálogo do Globoplay, na seção Fragmentos, dedicada a títulos históricos da dramaturgia da Globo.