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Trump ameaça retaliações ao Irã caso governo execute manifestantes
Familiares de um manifestante preso disseram à BBC Persian que ele será executado na quarta-feira; o número de mortos nos protestos já passa de 2.400
14/01/2026 11h50
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Presidente Donald Trump - Reprodução: Alex Brandon / AP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que Washington implementará "medidas muito duras" contra Teerã caso o regime prossiga com a execução de manifestantes. Estimativas de grupos humanitários indicam que a repressão estatal já vitimou mais de 2.400 pessoas que protestavam contra o governo atual do Irã.

Um dos casos mais urgentes é o de Erfan Soltani, de 26 anos. Capturado no dia 8 de janeiro, sua execução está prevista para esta quarta-feira (14). Familiares revelaram à BBC Persian que o veredito capital foi proferido "em um processo extremamente rápido, em apenas dois dias". Ativistas da organização Hengaw ressaltaram que "nunca tinha visto um caso avançar tão rapidamente", avaliando que Teerã está "usando todas as táticas que conhece para reprimir as pessoas e espalhar medo".

Em entrevista à CBS News, Trump subiu o tom sobre a possibilidade de enforcamentos: "Se eles os enforcarem, vocês vão ver algumas coisas... Vamos tomar medidas muito duras se fizerem isso". O republicano afirmou que busca "números precisos" sobre as fatalidades e reiterou que, ao obter os dados, "agiremos de acordo".

Em sua rede social, o presidente norteamericano avisou que os líderes iranianos "pagarão um preço alto" e motivou a população local a "continuarem protestando". Ele ainda suspendeu diálogos oficiais:

"Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que a morte sem sentido de manifestantes PARE. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!!".

O termo "MIGA" faz alusão ao slogan da oposição no exílio, "Make Iran Great Again" (Faça o Irã Grande Novamente). Além de sanções comerciais já vigentes, o governo dos EUA estuda intervenções militares. Em contrapartida, Teerã acusa a Casa Branca de tentar "fabricar um pretexto para intervenção militar", afirmando que "esse roteiro já falhou antes".

A onda de indignação, que atinge 180 cidades, começou pela desvalorização da moeda e o custo de vida proibitivo, evoluindo para um desafio direto ao sistema clerical estabelecido em 1979.

A escalada da violência gerou cenas de horror. Vídeos verificados mostram famílias buscando entes queridos no Centro Forense de Kahrizak. Um ativista relatou à BBC:

"Eles empilharam corpos de todos os bairros, como Saadatabad, Naziabad e Sattarkhan. Então você vai até a pilha de corpos correspondente ao seu endereço e procura ali. Você não faz ideia nem de uma fração do nível de violência que foi usada".

Médicos locais descrevem os hospitais como uma "zona de guerra", sofrendo com a "falta de suprimentos, falta de sangue".

O Contexto Histórico: Do Xá à Teocracia

Os protestos atuais ecoam sentimentos profundos sobre o passado do país. Manifestantes foram gravados clamando por "Reza Shah", em referência à dinastia Pahlavi, derrubada na Revolução de 1979.

Período Liderança Características Principais
Monarquia (até 1979) Xá Mohamed Reza Pahlavi Ocidentalização, modernização rápida, mas com autoritarismo e polícia secreta (Savak).
República Islâmica (pós-1979) Aiatolás Khomeini e Khamenei Governo teocrático, valores conservadores, isolamento relativo do Ocidente e controle clerical.

O atual chefe do Judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, garantiu que os manifestantes serão "tratados com seriedade e severidade". Muitos enfrentam a acusação de "inimizade contra Deus", crime que acarreta a pena de morte no código penal iraniano. Enquanto isso, a ONU, através de Volker Türk, exige o fim da repressão e a restauração da internet, que já acumula mais de 132 horas de apagão.