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Devido a crise com a Groenlândia, França bate o martelo sobre sua participação na Copa do Mundo
Ministra dos Esportes afirma que governo francês não pretende misturar futebol e disputas diplomáticas, apesar de declarações do presidente dos EUA
22/01/2026 12h07
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Presidentes Trump e Macron - Reprodução: Gazeta do Povo

O governo francês descartou qualquer chance de se ausentar da Copa do Mundo de 2026, sediada majoritariamente nos Estados Unidos, rechaçando a ideia de um boicote motivado pelos recentes atritos diplomáticos entre a Europa e a Casa Branca.

Marina Ferrari, titular da pasta de Esportes da França, esclareceu que não existe, no presente cenário, o desejo de abandonar a competição devido às intimidações de Donald Trump. O líder americano gerou desconforto ao pressionar a Dinamarca pela soberania da Groenlândia — região autônoma vinculada ao reino dinamarquês.

O presidente dos EUA ameaçou sobretaxar produtos da França e de outras potências europeias que se opuserem à sua estratégia de domínio sobre o território ártico, o qual ele classifica como vital para a proteção dos EUA e da Otan.

De acordo com Marina Ferrari, embora existam controvérsias ideológicas inflamando diversos setores do continente europeu, Paris sustenta a tese de que a modalidade não deve servir como arma de represália entre nações.

“Não há nenhuma intenção, neste momento, de boicotar uma competição desse porte. A Copa do Mundo é um evento extremamente importante para quem ama o esporte”, afirmou a ministra, ao reforçar que prefere manter futebol e política em campos distintos.

Tais pronunciamentos antecederam a fala de Trump em Davos, na Suíça, onde, durante o Fórum Econômico Mundial, ele ratificou sua postura rígida acerca da questão territorial.

Conexões Internacionais e FIFA

A discussão traz à tona a harmonia entre Donald Trump e o presidente da Fifa, Gianni Infantino. Em dezembro, um evento em Washington selou essa proximidade quando Infantino condecorou Trump com o "Prêmio da Paz" da entidade máxima do futebol, provocando burburinho na comunidade global.

Enquanto isso, Berlim segue uma linha cautelosa. O governo alemão destacou que determinações sobre a participação no torneio pertencem às federações esportivas, e não às esferas governamentais.

Preparativos dos "Bleus"

Alheia à instabilidade geopolítica, a Federação Francesa de Futebol (FFF) mantém seu cronograma técnico inalterado. A delegação confirmou que utilizará as instalações do Babson College, próximo a Boston, como quartel-general.

Inserida no Grupo I, a seleção da França encerrará sua trajetória na etapa inicial contra a Noruega. O duelo está agendado para 26 de junho, no Gillette Stadium, em Massachusetts.