Em um diálogo por telefone ocorrido nas primeiras horas desta sexta-feira (23), os líderes do Brasil e da China estreitaram sua parceria estratégica. Segundo a agência estatal Xinhua, Xi Jinping enfatizou que a sofisticação produtiva chinesa abrirá novas portas para projetos conjuntos com o governo brasileiro.
Durante o contato, o mandatário chinês instou Lula a preservar o "papel central" da ONU no cenário global. O movimento diplomático ocorre precisamente 24 horas após Donald Trump anunciar, em Davos, a criação do seu Conselho da Paz.
Sem citar nominalmente a nova organização americana, Xi ressaltou a importância de Pequim e Brasília como pilares de equilíbrio em um contexto mundial "tumultuada". De acordo com nota da emissora CCTV, ele defendeu que ambas as nações "são forças construtivas para a manutenção da paz e da estabilidade mundial".
Para o líder chinês, é imperativo que os dois países não oscilem em seus princípios: "Eles devem se manter firmes do lado certo da história e defender conjuntamente o papel central das Nações Unidas e a justiça e equidade internacionais", pontuou.
Enquanto isso, no Fórum Econômico Mundial, Trump sugeriu que seu novo conselho atuaria em paralelo à ONU, mas ressalvou que a entidade, uma vez consolidada, "possa fazer virtualmente" o que for da vontade de seus integrantes. Em resposta indireta, o governo chinês já havia sinalizado que, "independentemente de como a situação internacional mude, a China defende firmemente o sistema internacional com as Nações Unidas em seu núcleo".
A China, que detém poder de veto no Conselho de Segurança, utiliza sua influência como segunda maior potência econômica para blindar a estrutura das Nações Unidas. Embora os dois países tenham recebido convites para o conselho de Trump, nenhum sinalizou adesão — especialmente diante da exigência de um aporte de até US$ 1 bilhão para membros permanentes.
A relação entre Brasília e Pequim transcende o comércio, envolvendo uma profunda sintonia política. Durante as disputas tarifárias promovidas por Washington no último ano, Brasil e China se posicionaram como guardiões do livre comércio e do multilateralismo. Essa visão foi reforçada em agosto, quando Xi sugeriu a Lula que a colaboração entre ambos poderia ser um paradigma de "autossuficiência" para as nações em desenvolvimento.