Delcy Rodríguez, atual presidente interina da Venezuela e ex-vice de Nicolás Maduro, aceitou cooperar com os Estados Unidos antes mesmo da captura do líder chavista no início de janeiro, de acordo com uma reportagem publicada na quinta-feira (22) pelo The Guardian. A informação indica que as conversas entre Rodríguez e autoridades norte-americanas começaram meses antes da operação que resultou na prisão de Maduro pelos EUA.
Fontes envolvidas nas negociações, ouvidas sob anonimato, afirmaram que tanto Delcy quanto seu irmão, o presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Jorge Rodríguez, garantiram a representantes dos Estados Unidos e de outros países que estariam dispostos a trabalhar com Washington caso Maduro fosse removido do poder. As conversas teriam começado no outono de 2025 e continuaram após uma ligação entre o presidente Donald Trump e Maduro, na qual Trump teria exigido a saída do então mandatário.
De acordo com essas fontes, Delcy teria afirmado às autoridades americanas que “Maduro precisava sair” e que ela lidaria com as consequências de seu eventual afastamento. No entanto, foi destacado que as negociações não envolveram apoio direto à ação que derrubou Maduro — ou seja, não houve colaboração ativa dos irmãos Rodríguez para organizar a captura, mas sim uma promessa de cooperação política e administrativa após a mudança de liderança.
Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela em 5 de janeiro, dois dias após a operação que resultou na prisão de Maduro, em cerimônia realizada na Assembleia Nacional. A posição da atual chefe de Estado venezuelana tem sido vista como mais aberta ao diálogo com Washington, inclusive em temas como a indústria petrolífera do país.