No comando transitório da Venezuela, Delcy Rodríguez manifestou-se de forma incisiva neste domingo (25), rechaçando qualquer tentativa de imposição vinda da Casa Branca sobre as decisões internas da nação. O pronunciamento ocorre em um cenário de crise diplomática aguda, desencadeada pela prisão de Nicolás Maduro por agentes dos Estados Unidos. As palavras foram direcionadas a operários da indústria de petróleo em Anzoátegui, na região oriental do país.
“Chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Deixemos que a política venezuelana resolva nossas diferenças e conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, bradou Rodríguez, sustentando que a resolução das crises nacionais deve ser estritamente endógena.
Rodríguez ascendeu ao posto máximo do país em 5 de janeiro de 2026, amparada pela Carta Magna venezuelana, após a operação militar estadunidense em Caracas que retirou Maduro do poder por tempo indeterminado.
Desde a mudança de comando, o diálogo entre as duas capitais tem sido pautado por tensões e visões antagônicas. De um lado, a gestão de Donald Trump pressiona por parcerias estratégicas no setor energético e por reestruturações institucionais. Do outro, a mandatária interina tenta blindar a autonomia do país contra as demandas da potência do norte.
Especialistas em geopolítica avaliam que o tom nacionalista de Rodríguez é uma tática para angariar apoio popular e firmar sua autoridade no território venezuelano. A estratégia visa legitimar sua liderança em um momento de intensa vigilância internacional e incertezas no período que se sucede à era Maduro.