O círculo próximo a Jair Bolsonaro passou a manifestar recentemente uma onda de esperança sobre a viabilidade de uma transição para o regime de prisão domiciliar. Conforme revelado pela coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, esse otimismo floresceu após novos despachos do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O magistrado autorizou a realocação do ex-mandatário para o 19º Batalhão da PM, a chamada “Papudinha”, dentro do complexo prisional do DF. Paralelamente, Moraes exigiu que o político passe por uma perícia clínica urgente conduzida por especialistas da Polícia Federal.
A determinação judicial foca na análise das condições físicas de Bolsonaro para definir os requisitos necessários ao cumprimento de sua sentença, com um prazo de dez dias para o envio do relatório.
Para os apoiadores, o movimento de Moraes é interpretado como uma brecha estratégica: ao solicitar tal perícia, o ministro estaria pavimentando o caminho para uma revisão da custódia. O tribunal busca saber se a estadia na “Papudinha” ameaça a saúde do detento e se o confinamento doméstico seria a medida mais eficaz para garantir a sua “vida, integridade física e dignidade humana”.
A estratégia para sensibilizar a Corte envolveu uma força-tarefa de alto escalão. Michelle Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas e outros emissários teriam estabelecido diálogos diretos com Alexandre de Moraes e os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça.
“Michelle conversou com Moraes com muita humildade, sem arrogância, nem bravata”, revelou uma fonte próxima às negociações.
O argumento central é a fragilidade clínica do ex-presidente. Existe um temor real de que um incidente médico fatal no cárcere crie uma crise sem precedentes para o Supremo. O espectro da morte de Cleriston Pereira da Cunha, o "Clezão", que faleceu após um mal súbito na Papuda em 2023, assombra as discussões entre autoridades do DF e do STF.
Os defensores de Bolsonaro utilizam como trunfo uma decisão do próprio Moraes que, no ano passado, beneficiou Fernando Collor com o regime domiciliar humanitário por razões de saúde (Parkinson e transtorno bipolar).
Embora Collor tenha sido sentenciado por lavagem de dinheiro e corrupção, o benefício foi concedido para equilibrar a punição com o direito à saúde. A defesa alega que o quadro de Bolsonaro — marcado por obstruções intestinais, crises de soluço e sequelas da facada de 2018 — é ainda mais crítico.
Apesar do pedido de igualdade de tratamento, pesa contra Bolsonaro o histórico de sua prisão preventiva em novembro, ocorrida após ele violar sua tornozeleira eletrônica.
Atualmente, a rotina do ex-presidente na nova acomodação de 55 m² inclui:
Infraestrutura: Acesso a chuveiro quente, geladeira, televisão e cozinha própria (item inexistente na sede da PF).
Saúde: Vigilância médica ininterrupta (24h).
Dia a dia: Períodos de sol intercalados com episódios de soluço e alimentação provida por parentes.