O aumento de golpes digitais e invasões de contas em redes sociais tem ampliado prejuízos financeiros e danos à reputação de usuários comuns, profissionais liberais e pequenos empresários. Perfis pessoais passaram a concentrar funções antes restritas a empresas, como geração de renda, comunicação com clientes e exposição pública, o que elevou o impacto de ataques cibernéticos.
De acordo com a perita criminal e criminológa Liliany Kaczynski, conhecida como Dra. Hacker, a maior parte das invasões não ocorre por falhas sofisticadas de tecnologia, mas por erros recorrentes cometidos pelos próprios usuários. Entre eles estão o uso de senhas fracas, reutilização de credenciais, cliques em links falsos e confiança em contatos que se passam por equipes de suporte.
Segundo a especialista, muitos ataques exploram engenharia social, técnica que induz a vítima a fornecer dados sensíveis sem perceber. “Grande parte dos golpes hoje não envolve quebra de sistema, mas manipulação de comportamento. O criminoso convence a vítima de que está resolvendo um problema, quando na verdade está entregando o acesso”, explica.
O problema se agrava quando a conta invadida é utilizada como ferramenta de trabalho. Influenciadores, médicos, advogados e empreendedores que dependem das redes sociais para faturamento relatam perdas diretas, interrupção de atividades e dificuldade para recuperar o controle dos perfis. Em alguns casos, a invasão evolui para extorsão, com pedidos de pagamento para devolução da conta.
A recuperação, no entanto, nem sempre é simples. Liliany destaca que ações tomadas logo após a invasão podem definir o sucesso do processo. “Apagar mensagens, tentar resolver sozinho ou negociar com o invasor costuma piorar a situação. O ideal é preservar provas digitais e buscar orientação técnica adequada”, afirma.
Além do aspecto técnico, há implicações jurídicas. Dependendo do caso, a invasão pode configurar crime cibernético, exigindo registro de ocorrência, laudos periciais e medidas judiciais para restabelecimento do acesso e responsabilização dos envolvidos. “Quando há prejuízo financeiro ou uso indevido da identidade, a atuação técnica precisa caminhar junto com o aspecto legal”, ressalta.
Outro ponto levantado pela especialista é a falsa sensação de segurança entre usuários experientes. Segundo ela, familiaridade com tecnologia não impede a queda em golpes bem estruturados. “Hoje, os ataques são personalizados. O criminoso estuda o perfil, o momento da vítima e adapta o discurso. Isso torna o golpe mais difícil de identificar”, explica.
Com a crescente digitalização das relações pessoais e profissionais, a tendência é que ataques desse tipo se tornem mais frequentes. Para Liliany, informação e prevenção seguem sendo os principais aliados. “Entender como os golpes funcionam é a forma mais eficaz de reduzir riscos. Segurança digital deixou de ser um tema técnico e passou a ser uma questão de rotina”, conclui.