A jornada internacional de Luiz Inácio Lula da Silva em 2026 teve seu pontapé inicial nesta quarta-feira (28), priorizando a integração dos mercados e o fortalecimento dos laços entre as nações vizinhas. No Panamá, o chefe de Estado brasileiro inaugura sua agenda externa do ano marcando presença no Fórum do CAF, além de pavimentar o caminho para encontros de alto nível com o futuro governante chileno e o presidente estadunidense, Donald Trump.
O coração dos compromissos presidenciais bate na Cidade do Panamá, sede do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe. O evento, frequentemente apelidado de “Davos Latino-Americano”, é promovido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e atrai um público seleto de 2.500 autoridades, incluindo vencedores do Nobel de Economia.
Ao dividir o palco inaugural com os presidentes do Equador, Bolívia e Colômbia, Lula busca soluções para impulsionar a produtividade regional diante das incertezas do mercado mundial. Como reconhecimento de seu papel diplomático, o brasileiro receberá a Ordem Manuel Amador Guerrero, a distinção máxima concedida pelo governo local.
A expectativa em torno de uma reaproximação com os Estados Unidos domina as atenções. Ainda no desembarque, o presidente sinalizou um encontro presencial com Donald Trump para os primeiros dias de março, na capital americana. Sobre a relevância dessa conexão, Lula destacou:
“Brasil e EUA são as duas principais democracias do Ocidente. É importante conversarmos olho no olho”.
Ontem (27), o foco foi o Cone Sul. Lula e José Antonio Kast, presidente eleito do Chile, realizaram uma audiência pautada pelo realismo político. Superando contrastes de pensamento, a conversa priorizou temas práticos como a transição energética, políticas de segurança e o enfrentamento conjunto às redes criminosas.
Ao ser questionado sobre a instabilidade política na Venezuela, o líder brasileiro optou pela prudência. Ele defendeu a soberania local na resolução dos conflitos e manifestou votos de que a gestão interina de Delcy Rodríguez alcance o equilíbrio institucional necessário. Reforçando sua visão de não intervenção, Lula declarou:
“Temos que ter paciência. Não será o Brasil nem os EUA que encontrarão a solução”.