Nessa quarta-feira (28), a defensora dos animais, Luisa Mell, utilizou suas redes sociais para trazer a público o relatório médico de Orelha, o mascote comunitário que foi brutalmente assassinado em Florianópolis no início de janeiro.
Acompanhando minuciosamente o desenrolar do episódio, a ativista compartilhou a documentação técnica e manifestou sua indignação:
"Acompanhar de perto este caso, não tem sido fácil. Mas assim consigo ter acesso as informações reais. Aqui o laudo do cão assassinado covardemente pelos adolescentes", desabafou.
O prontuário detalha o estado crítico do animal durante a avaliação: traumatismos severos no crânio, hemorragias pelas vias aéreas e múltiplas fraturas na estrutura óssea da boca (mandíbula e maxilar).
Em diálogo com a delegada Mardjoli Valcareggi, titular da unidade especializada em proteção animal, Mell obteve detalhes sobre o perfil dos quatro jovens envolvidos. Segundo a autoridade, a violência contra o cão — que não resistiu e precisou ser sacrificado — foi apenas um dos delitos cometidos pelo grupo.
“Existe uma série de outros atos ilícitos, atos criminosos, a exemplo de atos infracionais de crimes contra a honra, praticados contra os profissionais aqui da região, como porteiros, depredação de patrimônio, furto de bebida alcoólica, então todos esses atos vão ser também apurados”, afirmou a delegada.
Devido ao comportamento hostil dos menores, um funcionário local chegou a fotografá-los para auxiliar a segurança da área, descartando o registro logo após o compartilhamento. Vale destacar que, ao contrário do que circulou na internet, a Polícia Civil de SC esclareceu que não existem filmagens do momento exato dos ataques ao animal.
Orelha, um cão de dez anos, foi localizado em sofrimento na Praia Brava após ser alvo de espancamento, supostamente com pauladas. Embora tenha recebido socorro, a gravidade do quadro clínico tornou a eutanásia inevitável.
O inquérito revela uma teia complexa de acontecimentos:
Outra Vítima: O grupo também teria arremessado um cão de pelagem caramelo no oceano, mas este conseguiu se salvar.
Fuga: Dois dos suspeitos já estariam em território norte-americano.
Interferência Policial: As autoridades investigam se um agente da própria Polícia Civil e o pai de um dos jovens intimidaram uma testemunha-chave.
Conforme relatado pelo Delegado-Geral, Ulisses Gabriel, uma pessoa teria utilizado uma arma para coagir quem presenciou os fatos. Até o momento, o autor dessa ameaça permanece foragido.