O trágico destino de um animal de estimação em Santa Catarina transcendeu a esfera policial, ecoando nos corredores do poder legislativo e inflamando discussões políticas.
Orelha, um cachorro que vivia sob os cuidados coletivos na Praia Brava, em Florianópolis, foi localizado com ferimentos devastadores após supostos ataques perpetrados por um bando de jovens. Apesar dos esforços médicos, a gravidade do quadro clínico exigiu o procedimento de eutanásia para cessar seu sofrimento.
Atualmente, as autoridades buscam esclarecer o envolvimento de quatro indivíduos, todos menores de idade, cujos nomes permanecem protegidos por sigilo legal. A perda de Orelha gerou uma onda de revolta entre os residentes locais, que descreviam o animal como uma figura mansa e integrada à rotina da vizinhança.
O episódio mobilizou parlamentares que defendem uma reforma na legislação vigente, visando punições mais rigorosas para quem atenta contra a vida animal.
O senador Humberto Costa (PT-PE) enfatizou a necessidade de reconhecer a capacidade dos animais de vivenciar sentimentos e dores físicas:
“É inaceitável que no Brasil ainda se pratiquem maus tratos contra os animais. Principalmente porque hoje em dia nós sabemos que os animais são seres sencientes, que eles sofrem, que eles sentem, e como tal nós temos que abolir definitivamente essa prática. Foi por isso que eu apresentei um projeto de lei ampliando as penas para aquelas pessoas que praticam maus tratos contra animais, especialmente para gatos e cães, que são aqueles mais comuns na lista dos animais de estimação das pessoas”.
Já o senador Fabiano Contarato (PT-ES) expressou profunda consternação com o perfil dos suspeitos e a natureza do crime, enquanto o governador catarinense, Jorginho Mello, manifestou seu horror diante do ocorrido, pedindo que o fato sirva de catalisador para novas políticas de amparo aos animais de rua.
Contarato pontuou sua incredulidade diante da crueldade gratuita:
“Confesso que custei acreditar. Adolescentes jovens de famílias estruturadas agredindo um cão por pura maldade. Um animal dócil que não oferecia risco algum, cuidado e amado por toda a comunidade. Orelha não era apenas um cachorro. Ele fazia parte daquele lugar. A lei será cumprida. Infelizmente, ainda muito branda. Lamento que o nosso estado esteja no centro de uma manchete tão triste. Mas que essa dor se transforme em ação, em mudança e em proteção aos animais comunitários”.
O inquérito sobre a morte de Orelha permanece sob a responsabilidade da Polícia Civil de Santa Catarina, que trabalha para concluir a peça investigativa e encaminhá-la ao Judiciário.