Uma homenagem monumental marcou as areias da Praia da Galheta, em Florianópolis, nessa quarta-feira (28). O cão comunitário Orelha, que teve faleceu precocemente por atos de crueldade, foi eternizado em um desenho de aproximadamente 40 metros de extensão. A obra leva a assinatura do artista visual Clayton Balduino.
“Orelha fazia parte da paisagem viva: dos passos lentos, dos olhares gentis, da convivência silenciosa entre humanos e natureza. Sua partida, marcada pela violência, nos convoca a refletir sobre o cuidado, o respeito e a responsabilidade que temos com todas as formas de vida”, declarou Clayton em suas redes sociais.
Especialista em land art — vertente que utiliza o ambiente natural como tela — Balduino atua no segmento há mais de uma década. Segundo ele, a ilustração em memória ao animal demandou 150 minutos de trabalho contínuo.
Ao g1, o autor detalhou sua conexão com o projeto:
Ele realizou desde o desenho na areia até o registro fotográfico.
“Fui eu mesmo que fiz a arte e também a captação das imagens. Tudo ali tem a ver com as minhas ideias. Fico muito feliz com a repercussão positiva e por estar contribuindo com essa causa, que acabou se tornando algo global, diante de um fato tão triste”, afirmou.
A Galheta e o Santinho são os locais que Clayton costuma transformar em seus estúdios a céu aberto. A escolha pelo rosto de Orelha uniu o desejo de aprimorar sua técnica com a necessidade de dar voz a uma pauta urgente:
“A proposta era começar a trabalhar com rostos, algo mais livre, mais artístico, buscando um pouco de realismo. Quando me deparei com o caso do Orelha, resolvi experimentar fazer o rosto dele. Estudei a imagem e fiz essa ampliação na areia. O dia ajudou, a praia estava bem grande, tudo colaborou”.
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