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Com 'hakers do bem', polícia desmonta quadrilhas de crimes digitais na web
DCCiber monitora fóruns clandestinos, rastreia criminosos e transforma investigações virtuais em prisões no mundo real
30/01/2026 11h15
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Freepik

A investigação de crimes virtuais frequentemente começa em territórios distantes dos distritos policiais convencionais. Conforme explica Paulo Barbosa, delegado e chefe de divisão na DCCiber, o esforço investigativo brota nas profundezas da deep web e da dark web. Nesses recantos digitais, malfeitores negociam dados, articulam fraudes e cooptam aliados, tudo sob o desconhecimento total de suas vítimas.

Na estrutura da DCCiber, a vigilância é operada pelo Centro de Inteligência Cibernética, uma unidade de elite composta por peritos em tecnologia. “A gente brinca que são os nerds da polícia, os hackers do bem”, comenta Barbosa em conversa com o Terra.

O trabalho desses agentes consiste em elaborar dossiês minuciosos fundamentados na análise de comunidades ocultas, comunicações criptografadas, códigos de programação e normas de rede.

Após esse rastreamento inicial, a inteligência aponta as rotas que levam aos fóruns clandestinos, trocas de mensagens, scripts e protocolos.

Com essas evidências em mãos, o inquérito avança para o acompanhamento em tempo real dos alvos. Quando os indícios ganham corpo, a autoridade policial solicita a abertura de sigilos bancários e telemáticos, monitorando o cotidiano dos investigados até que a identidade civil de cada um venha à tona.

O Desafio da Camuflagem Digital

Para se esquivar das autoridades, grupos criminosos utilizam táticas como o ocultamento de terminais telefônicos, sistemas de voz sobre IP (VoIP) e até mecanismos de síntese vocal por IA. “Atrapalha, mas não impede”, garante Barbosa, enfatizando que o aparato estatal sempre desenvolve metodologias para desmascarar os autores, independentemente do arsenal tecnológico que ostentem.

A sofisticação das fraudes atingiu um novo patamar através dessas inovações. “A gente prendeu em 2025 uma quadrilha que aplicava golpes em clientes de um banco. Eles faziam a ligação, mascaravam o número do telefone e usavam o número da agência real da vítima”, relata o delegado.

Em certos episódios, o áudio utilizado nos telefonemas simulava perfeitamente o tom de voz do funcionário da instituição financeira conhecido pelo correntista. “Através de inteligência artificial, eles conseguiram clonar a voz do gerente”, desvenda o especialista.

O Modus Operandi do Golpe

  1. O Contato: Os criminosos notificam uma violação falsa na conta do usuário.

  2. A Isca: Um endereço eletrônico (link) é disparado para o alvo.

  3. A Captura: A vítima insere credenciais em uma página falsa.

  4. A Invasão: Com a senha em posse, o bando assume o controle total do patrimônio financeiro.

De acordo com Barbosa, a simbiose entre o monitoramento tecnológico avançado e as táticas clássicas de investigação tem sido o trunfo da DCCiber para desmanchar organizações criminosas, provando que nem mesmo a internet é uma “terra de ninguém”.