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Ministros de Lula estão dispersos? Entenda as trocas de cargos para a disputa das eleições 2026
Até o fim de janeiro, ao menos 17 dos 38 ministros estão em articulação para deixar suas pastas e seguir na busca de outros postos
02/02/2026 11h43
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Lula e ministros - Reprodução: Gabriela Biló - 20.jan.2025/Folhapress

Embora o primeiro turno das eleições ocorra apenas em outubro, o xadrez político já opera em ritmo frenético. No Palácio do Planalto, projeta-se uma saída em massa de ministros nas próximas semanas, um movimento que, longe de sugerir fragilidade, indica uma manobra de expansão. A meta da esquerda é pulverizar influência em diversas esferas, consolidando a governabilidade e fortalecendo a presença no Legislativo Federal, atualmente 'dominado' pela oposição.

Das 38 pastas atuais, pelo menos 17 devem sofrer alterações de comando até abril. Este é o prazo fatal estipulado pela Justiça Eleitoral para que ocupantes de cargos públicos renunciem caso queiram concorrer, evitando assim o uso indevido da máquina estatal.

Lula enxerga na renovação de dois terços da Câmara Alta uma chance de ouro para reverter a hegemonia de siglas como o PL (15 cadeiras), PSD (14) e MDB (11), enquanto o PT detém apenas 9. Seis nomes já miram o Senado:

Outra frente de seis ministros — incluindo Anielle Franco (Igualdade Racial) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas) — buscará assentos na Câmara. Além disso, a sucessão estadual atrai Márcio França (Empreendedorismo) em SP e Renan Filho (Transportes) em AL, aproveitando que 18 governadores atuais não podem mais se reeleger.

Incertezas e Missões Específicas

Algumas figuras centrais do governo vivem momentos de indefinição ou transição técnica:

Quem Fica no Barco?

Dezesseis ministros decidiram permanecer até o encerramento do ano. Alexandre Padilha (Saúde) ratificou sua permanência, enquanto Luiz Marinho (Trabalho) recuou de sua candidatura a pedido direto do presidente. Geraldo Alckmin, o vice-presidente, mantém-se no posto, embora seja visto como o nome ideal para confrontar Tarcísio de Freitas em São Paulo.

Análise Estratégica

Segundo o cientista político Leandro Consentino (Insper), o incentivo ao desembarque ministerial reflete a necessidade de nomes com peso eleitoral nas chapas regionais.

“O governo não depende mais tanto só da popularidade do presidente, que já não é tão grande quanto foi no seu segundo mandato. Mas depende também dessas alianças regionais, com nomes fortes para compor as chapas. E, aí, o nome dos ministros aparece como a primeira possibilidade”, explica o especialista.

Embora a saída simultânea de tantos quadros possa afetar a fluidez política, Consentino pondera que a maioria das lacunas será preenchida por secretários executivos “que vão dar continuidade, em geral, às próprias políticas públicas que já estavam sendo realizadas pelo governo nos últimos anos”, garantindo que a engrenagem administrativa não pare durante o período eleitoral.