Contrariando a tendência de líderes que priorizam a perpetuação no cargo, o governador Ronaldo Caiado (PSD) planeja uma passagem pelo Palácio do Planalto com prazo de encerramento definido. Em uma conversa exclusiva com o jornalista Lucas Tadeu, do portal BacciNotícias, o pré-candidato garantiu que, se vitorioso, abrirá mão de uma reeleição. Segundo ele, o colapso institucional e o fortalecimento das milícias e facções demandam uma administração de choque, impossível de ser realizada por quem se torna prisioneiro de conchavos eleitorais.
Para o gestor, a integridade ética e a busca por metas rápidas permitem que as reformas fundamentais sejam concluídas em um único mandato.
“Com autoridade moral e determinação política, não é preciso mais de um mandato para fazer as mudanças que o país precisa, por isso, caso eleito, não disputarei reeleição. Há 40 anos o governo do PT fala em acabar com a fome do Brasil, o que não fez em cinco mandatos e agora querem um sexto.”
Ao analisar o tabuleiro para 2026, Caiado descreveu sua migração do União Brasil para o PSD como uma manobra essencial para escapar de um “suicídio político”. Ele tratou com pragmatismo a escolha de Jair Bolsonaro por seu filho, Flávio Bolsonaro, mas reafirmou sua autonomia. O governador defende que o campo conservador deve pulverizar candidaturas na primeira etapa do pleito para diversificar ideias e impedir que a estrutura governista de Lula fragilize um único nome precocemente. Ele propõe um compromisso de “maturidade política”, unindo forças apenas no embate decisivo.
"Uma candidatura única no primeiro turno é tudo o que o Lula quer, para despejar a máquina pública e aniquilar quem for escolhido. Nós não estamos aqui para atender o gosto do Lula, mas para ganhar a eleição. Aquele que se sair melhor e for ao segundo turno terá apoio de todos nós para vencer o PT".
O tema mais incisivo da conversa com o BacciNotícias foi a ordem pública. Caiado, que elevou Goiás ao status de modelo no setor, disparou críticas severas à União. Ele condenou a proposta de reforma na segurança por ferir a soberania das unidades federativas e acusou o atual governo federal de omissão diante da expansão do crime. Ao exaltar o rigor policial, ele prioriza o amparo ao cidadão comum e o domínio estatal sobre o crime organizado.
"O Governo Lula é conivente com o crime organizado e exporta facções. Minha polícia é treinada e age dentro da Lei. Quando há confronto, é porque o crime decidiu enfrentar o Estado. Eu serei o presidente que vai enfrentar o narcotráfico de frente, com autoridade moral, sem meias medidas".
Ao ser questionado sobre suas discrepâncias com Jair Bolsonaro, notadamente durante a crise sanitária, Caiado foi direto: sua formação em medicina exigia obediência à ciência para preservar vidas, mesmo sob custo político. Ele argumenta que sua vantagem competitiva é a entrega de resultados palpáveis, exemplificada pelo topo do ranking no Ideb e avanços na saúde goiana.
"Eu não sigo cartilhas; eu sigo resultados que mudam a vida das pessoas. Represento uma direita que sabe governar com eficiência administrativa e independência política, sem ficar presa a radicalismos que não entregam nada ao cidadão. Sou médico e produtor rural; lido com a ciência e com a realidade dos fatos".
Finalizando o encontro, Caiado desenhou um Brasil inserido na vanguarda digital. Além de restaurar a estabilidade jurídica, ele visa colocar a nação na rota da inteligência artificial e dos minerais estratégicos. O resgate da soberania nacional, para o governador, exige uma gestão que combine pulso firme contra o crime com audácia no desenvolvimento industrial.
"Vamos replicar em todo o país as políticas exitosas de Goiás, mas também precisamos desenvolver a indústria nacional; avançar na política internacional, inserindo o país no mercado global de nossos tempos, que envolvem pesquisa e produção de terras raras e inteligência artificial".