O pai de um dos jovens sob suspeita na morte do cachorro Orelha declarou que ‘não é de passar a mão na cabeça’ do filho. Conforme o relato do homem, que optou por não se identificar, o rapaz deverá arcar com as consequências se sua participação no episódio for confirmada.
Em depoimento ao programa Fantástico, da Rede Globo, ele pontuou o rigor de sua criação:
“A educação que eu e minha esposa damos para ele não foi de passar a mão na cabeça dele. Se fez alguma coisa e ficar provado, ele tem que responder. Mas tem que ser provado, até agora só foram acusações, acusações, acusações e não tem nada, não apresentaram absolutamente nada. A gente quer justiça tanto quanto as outras pessoas”.
Nesta semana, dois dos quatro menores apontados no inquérito regressaram de uma jornada aos Estados Unidos. Parentes asseguraram que o roteiro escolar já estava agendado muito antes do início das diligências policiais.
Ao pisarem em solo brasileiro, os jovens tiveram seus smartphones confiscados. Atualmente, a Polícia Científica examina os dispositivos em busca de evidências que norteiem as etapas futuras da apuração. Devido às diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veta a exposição de nomes de menores em atos infracionais, as identidades dos envolvidos permanecem preservadas.
Rodrigo Duarte da Silva, representante jurídico de duas famílias citadas, corroborou a postura de responsabilidade condicional.
“Nós esperamos que os depoimentos sejam colhidos o quanto antes, que a verdade venha à tona e, a partir daí, todos os adolescentes que não têm culpa alguma no caso sejam publicamente inocentados e, se eventualmente algum deles tiver alguma parcela de contribuição com qualquer maus-tratos ou com qualquer pequeno delito de quiosque ou de caminhar nas ruas e etc., que eles sejam, sim, responsabilizados, mas na medida da sua culpabilidade, por óbvio”.
O delegado Renan Balbino, especializado em infrações juvenis, informou que a força-tarefa já coletou relatos de mais de 20 pessoas e escaneou cerca de mil horas de gravações de segurança na Praia Brava, em Florianópolis. A linha de investigação que conecta os garotos ao crime baseia-se em “um fecho de indícios convergentes”, embora ainda não existam registros visuais do instante preciso em que o animal foi agredido.