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Conheça Tiago Cavalcanti, recomendado por Haddad para diretoria do Banco Central
Economista tem um histórico de envolvimento com política, mas não com o PT; ele colaborou com as campanhas de Eduardo Campos e Marina Silva
03/02/2026 11h44
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Tiago Cavalcanti - Reprodução: Fabiano Accorsi/EXAME

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, informou nesta terça-feira (3) que apresentou ao presidente Lula a indicação do economista Tiago Cavalcanti para ocupar um dos assentos na cúpula do Banco Central. Além dele, Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica, também figura na lista de recomendações.

Caso seja oficializado para as diretorias de Política Econômica ou de Organização do Sistema Financeiro, Cavalcanti exercerá suas funções até o fim de 2029.

Formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com mestrado e doutorado pela Universidade de Illinois — o mesmo centro acadêmico onde Paulo Picchetti, atual diretor do BC, se especializou —, o nome do docente já circulava com força entre as apostas do setor financeiro.

Atualmente, ele leciona na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, onde é membro da Trinity College, além de atuar como professor na Fundação Getúlio Vargas (FGV/EESP) em São Paulo, compartilhando a mesma base acadêmica de Picchetti.

Embora possua experiência em bastidores políticos, sua trajetória não está ligada ao PT. Em seu currículo acadêmico, ele menciona ter "participado das discussões econômicas" nos projetos presidenciais de Marina Silva e Eduardo Campos no pleito de 2014. Registros da época o descrevem como conselheiro econômico da candidata da Rede.

Naquele período, Cavalcanti foi um entusiasta da autonomia formal da autoridade monetária, pauta central de Marina contra a gestão de Dilma Rousseff. Ele chegou a traçar um paralelo entre a oposição à independência do BC e o ceticismo enfrentado pela Lei de Responsabilidade Fiscal em sua origem.

O especialista também defendeu que o teto inflacionário deveria recuar progressivamente e teceu críticas à gestão econômica da era Dilma, especialmente ao tripé de juros baixos e expansão fiscal da "nova matriz econômica".

Em textos mais atuais para o jornal Valor Econômico, ele elogiou os "avanços institucionais significativos" do órgão, citando a revolução do Pix e a abertura do mercado de meios de pagamento — pautas que integram o escopo da diretoria de Organização do Sistema Financeiro.

Em uma publicação de agosto de 2025, o economista advertiu sobre como grupos de pressão tentam influenciar as decisões dos reguladores para fins particulares, mesmo em regimes de autonomia. Ele reiterou que o BC deve se manter fiel ao controle dos preços e à solidez do sistema.

"Ao se desviarem dessas funções, os Bancos Centrais comprometem a confiança pública, fragilizam o equilíbrio macroeconômico e, em última instância, impõem custos à sociedade e aos contribuintes", escreveu.

No início do ano passado, ele colaborou em um estudo técnico do próprio Banco Central, junto a especialistas do Banco Central Europeu, explorando como reestruturações no sistema financeiro podem mitigar as disparidades no acesso ao crédito.