A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) reduziu em R$ 12 milhões o orçamento público destinado à estrutura e à organização do Carnaval de Rua de São Paulo em 2026. Com o corte, toda a infraestrutura dos oito dias oficiais de folia será custeada exclusivamente por patrocínio privado, principalmente da Ambev, patrocinadora oficial do evento.
Em 2025, a Prefeitura havia investido R$ 42,5 milhões na infraestrutura do carnaval, com apoio de R$ 27,8 milhões da iniciativa privada. Para 2026, o patrocínio total será de R$ 30,2 milhões, o que representa uma redução de cerca de 29% no montante disponível para a estrutura do evento.
Desde 2024, a SPTuris, empresa municipal responsável por turismo e grandes eventos, assumiu integralmente a produção do Carnaval de Rua, incluindo contratação de banheiros químicos, gradis, tapumes, produtores, sinalização dos circuitos e materiais informativos.
Durante coletiva realizada na sexta-feira (30), o presidente da SPTuris, Gustavo Pires, afirmou que 100% da infraestrutura do Carnaval 2026 será paga pela iniciativa privada. Inicialmente, o contrato com a Ambev previa R$ 29,2 milhões, mas o valor foi ampliado em R$ 1 milhão para viabilizar a instalação de 245 pontos de entrega de materiais recicláveis, elevando o patrocínio total para R$ 30,2 milhões.
Segundo a prefeitura, esse recurso será suficiente para custear toda a logística da festa, incluindo estruturas para megablocos e blocos de menor porte. As áreas de segurança, saúde e trânsito, no entanto, continuarão sob responsabilidade do poder público municipal e estadual, com atuação da Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Civil Metropolitana (GCM), Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e rede municipal de saúde.
“A gente está falando apenas da estrutura do carnaval: gradil, banheiro, produtores e logística dos blocos. Não estamos falando do efetivo de órgãos públicos, como CET, PM, GCM e Polícia Civil”, explicou Gustavo Pires.
A expectativa da Prefeitura é de que o Carnaval de Rua 2026 reúna 16,5 milhões de foliões, considerando o pré-carnaval, o período oficial e o pós-carnaval, distribuídos entre fevereiro e março. Ao todo, 627 blocos estão confirmados, número recorde, incluindo 11 megablocos espalhados por todas as regiões da capital.
Entre as atrações previstas estão nomes como Ivete Sangalo, Léo Santana, Alceu Valença, Baiana System, Luísa Sonza, Michel Teló, Lauana Prado, Gustavo Mioto, Thiago Abravanel e o DJ internacional Calvin Harris.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a operação do Carnaval 2026 está planejada para garantir a realização do maior carnaval do país, com estrutura considerada adequada após estudos técnicos. Segundo o Executivo municipal, a exclusão de trajetos pouco utilizados e de estruturas consideradas excedentes permitiu a otimização dos custos.
A administração destacou ainda que a operação contará com 58 mil agentes de segurança, 3,9 mil agentes de limpeza, além de equipes de saúde, transporte, cultura, turismo e direitos humanos.
Organizadores de blocos tradicionais, por outro lado, afirmam que o fomento público de R$ 2,5 milhões, destinado ao apoio direto aos blocos, é insuficiente. Apenas 100 blocos foram contemplados, com R$ 25 mil cada, valor que, segundo os coletivos, não cobre sequer metade dos custos básicos, como caminhões de som, equipe de apoio, ensaios e logística.
Eles também criticam a falta de diálogo com a Prefeitura. Apesar da criação de uma comissão especial para tratar do Carnaval, os organizadores afirmam que não há representantes dos blocos no grupo de trabalho, o que dificulta decisões conjuntas sobre regras, trajetos e estrutura.
Durante a coletiva, Ricardo Nunes afirmou que os blocos precisam buscar patrocínios próprios e não depender exclusivamente do poder público.
“Cada bloco precisa ter suas iniciativas de procurar o seu patrocínio. A cidade de São Paulo incentiva o empreendedorismo. Ficar acomodado, querendo tudo do governo, não é por aí”, declarou o prefeito.
O debate entre a Prefeitura e os organizadores segue em meio à expectativa de um Carnaval recorde de público, mas marcado por mudanças significativas no modelo de financiamento da maior festa popular da capital paulista.