Durante um jantar com deputados federais realizado na noite de quarta-feira (4), na Granja do Torto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou confiança na disputa eleitoral deste ano ao afirmar que, embora a eleição ainda não esteja definida, acredita na vitória. O encontro, que reuniu parlamentares de diferentes partidos, também serviu para antecipar o tom do debate político que deve ganhar força nos próximos meses.
Segundo relatos de participantes, Lula citou nominalmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como um dos possíveis nomes da oposição para a corrida presidencial, apesar de o chefe do Executivo paulista reiterar que pretende disputar a reeleição no estado. O presidente também mencionou os governadores Ratinho Júnior (Paraná), Romeu Zema (Minas Gerais) e Ronaldo Caiado (Goiás), indicando que pretende comparar os resultados de seus governos com as gestões estaduais desses líderes.
Chamou atenção, entre os deputados presentes, o fato de Lula não ter citado o senador Flávio Bolsonaro, apontado por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro como o principal nome da oposição para o pleito nacional. Nos bastidores, parlamentares observaram que a omissão ocorre em um momento em que pesquisas recentes indicam crescimento do senador nas intenções de voto e empate técnico com o presidente em cenários de segundo turno.
Além das sinalizações eleitorais, o jantar teve forte componente de articulação política. Lula elogiou a condução do presidente da Câmara, Hugo Motta, reforçando o esforço do Palácio do Planalto em manter uma relação mais estável com o Congresso. A iniciativa faz parte de uma estratégia para ampliar o diálogo com lideranças partidárias e garantir maior previsibilidade na tramitação de pautas prioritárias do governo.
O presidente também indicou que pretende aprofundar esse movimento após o Carnaval, com encontros previstos com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e líderes da Casa. Para aliados, o jantar marcou mais do que uma confraternização: representou o início de uma fase em que Lula passa a tratar o cenário eleitoral de forma mais direta, antecipando adversários e estabelecendo comparações que devem pautar seus discursos ao longo do ano.