A cantora Maiara, de 38 anos, chamou atenção ao falar abertamente sobre a alopecia androgenética, uma condição crônica que enfrenta há alguns anos. A doença provocou uma perda significativa de cabelo e levou a artista a buscar acompanhamento médico e tratamentos contínuos para recuperar a saúde capilar e o bem-estar emocional.
De acordo com a cantora, o diagnóstico demorou a ser identificado. O afinamento progressivo dos fios, a redução do volume e a queda constante aconteceram de forma gradual, tornando o problema silencioso no início. A alopecia androgenética é um tipo de calvície caracterizado pelo enfraquecimento dos fios ao longo do tempo, podendo levar à diminuição permanente do crescimento capilar quando não tratada precocemente.
Embora atinja homens e mulheres, a condição é mais comum no público masculino devido à maior influência dos hormônios androgênicos. Nas mulheres, porém, o impacto costuma ser ainda mais delicado, especialmente por envolver questões emocionais, autoestima e identidade.
Antes de aprofundar as dúvidas mais comuns sobre o tema, o Portal Felipeh Campos conversou com o dermatologista José Roberto Fraga Neto, do Instituto Fraga de Dermatologia, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Associação Brasileira de Cirurgia da Restauração Capilar (ABCRC), que explicou por que a alopecia feminina precisa ser tratada com seriedade.
“A queda de cabelo na mulher não deve ser normalizada. Quando há afinamento dos fios, redução significativa do volume ou surgimento de falhas, é fundamental investigar a causa o quanto antes, porque muitos quadros têm tratamento e até possibilidade de reversão quando diagnosticados precocemente”, afirma o especialista.
De acordo com Fraga Neto, a alopecia androgenética feminina é apenas uma das formas de queda capilar que podem acometer as mulheres. Ela se manifesta, principalmente, pelo afinamento progressivo dos fios no topo da cabeça e pela diminuição do volume capilar, especialmente perceptível na região do “rabo de cavalo”.
Além dela, existem outros tipos importantes, como a alopecia areata de origem autoimune, que provoca falhas localizadas no couro cabeludo e as alopecias cicatriciais, menos frequentes, porém mais graves, pois podem causar perda definitiva dos fios se não forem diagnosticadas a tempo.
O dermatologista alerta que nem toda queda de cabelo é, de fato, uma alopecia. Um exemplo comum é o eflúvio telógeno, condição caracterizada por uma queda intensa e difusa dos fios após eventos como estresse emocional, cirurgias, infecções, parto, perda rápida de peso ou uso de determinados medicamentos.
“A perda diária de até 50 a 100 fios faz parte do ciclo normal do cabelo. A queda se torna patológica quando há aumento persistente da perda, afinamento progressivo, redução visível do volume ou aparecimento de falhas. É importante reforçar que queda de cabelo não é um diagnóstico, mas um sintoma”, explica Fraga Neto.
O estresse emocional, inclusive, é apontado como um dos principais fatores que podem desencadear ou agravar quadros de queda capilar. Entre artistas e figuras públicas, a exposição constante, a pressão estética e a cobrança por imagem perfeita podem potencializar esse impacto, afetando tanto o couro cabeludo quanto a saúde mental.
Segundo o especialista, o tratamento da alopecia varia conforme a causa e deve ser sempre individualizado. Ele pode envolver medicamentos tópicos ou orais, correção de deficiências nutricionais, controle hormonal e procedimentos realizados em consultório dermatológico.
A avaliação médica pode incluir exames como tricoscopia, exames laboratoriais específicos e, em alguns casos, até biópsia do couro cabeludo para confirmação do diagnóstico.
“O transplante capilar não é indicado para todos os casos e não substitui o tratamento da causa. Ele pode ser considerado quando há diagnóstico bem definido, estabilidade da doença e área doadora adequada. Para mulheres corretamente selecionadas, é uma opção segura e eficaz”, ressalta o dermatologista.
O relato de Maiara ajuda a romper um silêncio comum entre mulheres que convivem com a queda de cabelo, muitas vezes escondendo o problema por vergonha ou medo de julgamento. Para Fraga Neto, apesar de as redes sociais reforçarem padrões irreais de beleza, elas também cumprem um papel importante na conscientização.
“Quando uma figura pública fala sobre o tema com transparência, ela ajuda outras mulheres a entender que não estão sozinhas e que existe tratamento. Informação e diagnóstico precoce são fundamentais”, conclui.
Ao compartilhar sua experiência, Maiara transforma uma vivência pessoal em alerta coletivo, incentivando outras mulheres a buscarem avaliação médica e a cuidarem da saúde capilar sem culpa, vergonha ou silêncio.