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Trump critica show de Bad Bunny no Super Bowl: “Uma afronta à grandeza da América” | Qual é a sua opinião?
Presidente dos EUA usa redes sociais para atacar show do cantor porto-riquenho, critica uso do espanhol e questiona escolha da NFL para o intervalo do maior evento esportivo do país
09/02/2026 14h20 Atualizada há 7 meses
Por: Natália Raquel
Foto: Reprodução/X

A apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl voltou a colocar política, cultura e identidade no centro do debate público nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump usou as redes sociais para atacar duramente o espetáculo comandado pelo cantor porto-riquenho, classificando o show como “absolutamente ridículo” e afirmando que a performance representaria uma “afronta à grandeza da América”.

As críticas foram publicadas poucas horas após o encerramento da final da NFL, evento que reúne mais de 100 milhões de telespectadores apenas em território norte-americano. Para Trump, a escolha de Bad Bunny como atração principal não teria representado os valores culturais do país, além de ter incomodado setores conservadores pelo uso predominante do espanhol e pela estética do show.

“O show do intervalo do Super Bowl foi um dos piores de todos os tempos. Não faz sentido nenhum, não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência”, escreveu o presidente, em tom duro. Em outra publicação, Trump ainda criticou a coreografia e afirmou que “ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo”.

Reação conservadora e críticas à NFL

A repercussão não ficou restrita às redes sociais de Trump. Aliados políticos e influenciadores conservadores também questionaram a decisão da NFL, alegando que o maior evento esportivo do país deveria priorizar artistas que representassem a “cultura tradicional americana”.

Antes mesmo da apresentação, grupos ligados à base trumpista já haviam organizado protestos simbólicos e transmissões alternativas, em oposição ao show. O uso do espanhol e a valorização da identidade latina foram apontados como os principais alvos das críticas.

Trump aproveitou o episódio para ampliar o ataque à liga esportiva, incluindo críticas a regras recentes do futebol americano e insinuando que a NFL estaria “cedendo a agendas ideológicas”.

Bad Bunny, identidade latina e posicionamento político

Embora não tenha respondido diretamente às declarações de Trump após o Super Bowl, Bad Bunny é conhecido por assumir posicionamentos políticos e culturais em sua trajetória artística. O cantor, nascido em Porto Rico — território associado aos Estados Unidos —, construiu carreira global sem abrir mão do idioma espanhol e da valorização da cultura latino-americana.

Durante o show, o artista exibiu bandeiras de países do continente americano e apresentou músicas com referências diretas a temas sociais, históricos e políticos ligados a territórios sob influência dos Estados Unidos. Uma das canções fez alusão à situação de ilhas e regiões que não possuem autonomia política plena, tema recorrente em seu trabalho recente.

Ao longo da carreira, Bad Bunny já participou de protestos em Porto Rico, criticou políticas migratórias e utilizou palcos internacionais para defender pautas ligadas à diversidade, identidade cultural e direitos civis.

Super Bowl no centro da tensão política

Tradicionalmente visto como um evento de entretenimento voltado ao grande público, o show do intervalo do Super Bowl tem se tornado, nos últimos anos, um espaço cada vez mais atravessado por debates sociais e políticos. A apresentação de Bad Bunny, no entanto, intensificou esse cenário ao unir música, língua espanhola e simbolismos culturais em um momento de forte polarização nos Estados Unidos.

Apesar das críticas, a performance também recebeu elogios de artistas, ativistas e fãs, que destacaram a importância da representatividade latina em um dos maiores palcos do entretenimento mundial.

Até o momento, a NFL não se pronunciou oficialmente sobre as declarações de Trump. O episódio, no entanto, reforça como o Super Bowl ultrapassou o campo esportivo e se consolidou como um reflexo direto das disputas culturais e políticas que marcam a sociedade norte-americana atual.