Notícias Fechando o cerco
Polícia busca apreensão do passaporte de adolescente envolvido na morte do cão Orelha
Polícia Civil pede apreensão de passaporte enquanto divergências com o Ministério Público e apuração de possíveis ameaças ampliam tensão em torno da morte do cão comunitário
09/02/2026 14h26
Por: Mateus Pereira

A morte do cão comunitário Orelha continua rendendo desdobramentos e ganhou um novo capítulo que acendeu alerta nas autoridades. A Polícia Civil de Santa Catarina solicitou à Justiça a apreensão do passaporte do adolescente investigado pelo caso ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis. A Polícia Federal foi comunicada da medida, que tem como objetivo impedir que ele deixe o país. Em nota, a corporação afirmou que o Ministério Público estadual se posicionou favoravelmente ao pedido e destacou que a atuação busca garantir que a denúncia avance junto às provas reunidas.

Apesar disso, o caso segue cercado por divergências entre os órgãos envolvidos. O Ministério Público informou que pretende requisitar novas diligências e apontou necessidade de mais esclarecimentos na reconstrução dos fatos. Promotorias ligadas às áreas criminal e da infância e juventude identificaram lacunas na investigação e pediram maior precisão sobre a possível participação de adolescentes em atos infracionais análogos a maus-tratos contra animais. Enquanto isso, a Polícia Civil sustenta que há base legal para a internação do jovem investigado.

Outro ponto que entrou no radar das autoridades é a apuração de possível coação e ameaças durante o andamento do caso. A polícia analisa relatos envolvendo familiares dos adolescentes investigados e um porteiro de condomínio na região, enquanto o Ministério Público também quer aprofundar essa linha para verificar eventual relação com os episódios de agressão aos animais. O cenário ampliou o clima de tensão em torno do inquérito.

Orelha foi brutalmente assassinado em Santa Catarina (foto: Reprodução | Internet)

A investigação sobre as agressões que resultaram na morte de Orelha foi encerrada na última semana com pedido de internação de um dos quatro adolescentes envolvidos. Para embasar a apuração, os investigadores recorreram a tecnologia importada e análise extensa de imagens de segurança. Foram mais de mil horas de gravações avaliadas, provenientes de 14 câmeras, além de depoimentos de 24 testemunhas. Embora não exista registro do momento exato do ataque, as filmagens permitiram identificar roupas usadas pelo suspeito e confirmar que ele deixou o condomínio onde mora durante a madrugada do dia do crime.