O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), defendeu a postura adotada pelo Banco Central (BC) diante das supostas ilicitudes no Banco Master, instituição que sofreu liquidação forçada pela autoridade monetária no encerramento do último ano.
As ponderações do ministro ocorreram durante um evento organizado pelo BTG Pactual, na capital paulista, no início desta terça-feira (10).
“Tem autoridades que estão incumbidas de fazer essa avaliação, tanto dentro do Banco Central (BC) quanto a Polícia Federal e o Ministério Público. O fato concreto é que o Banco Master, até 2024, teve um crescimento exponencial que foi estancado assim que o (Gabriel) Galípolo tomou posse. Ele se deparou com uma situação muito preocupante em relação ao que se verificava ali”, afirmou Haddad.
O ministro detalhou que o cenário era insustentável devido à magnitude do rombo descoberto.
“Pior do que tudo, se descobriu uma fraude de R$ 12 bilhões. Diante disso, não havia muito o que fazer, à luz não apenas do patrimônio do próprio Master como do patrimônio do banco que comprou uma carteira fraudada”, prosseguiu o ministro da Fazenda.
Haddad, que anteriormente já havia classificado o episódio como um possível recorde de desonestidade no setor financeiro nacional, sublinhou a urgência de investigar a ascensão meteórica da empresa até o ano passado.
“No período de seis anos até 2024, o Banco Master teve uma explosão de crescimento. Como esse banco atingiu essa dimensão? Alguém vai responder como essa coisa chegou a esse patamar”, defendeu.
Para o ministro, o caso expõe a fragilidade das normas atuais, que não foram capazes de barrar um esquema dessa magnitude.
“A legislação não se mostrou suficientemente robusta para evitar uma operação com essa, que colocou muita coisa em risco”. “Felizmente, não foi um risco sistêmico, mas ele ganhou proporções e envolveu outras instituições. Isso não pode voltar a acontecer”, afirmou Haddad.
Ele finalizou pontuando que o episódio deve servir de lição para o aprimoramento da fiscalização.
“Temos de aprender com esse caso e fechar as brechas que permitiram a fraude e a irresponsabilidade”, concluiu.