Aos 65 anos, Eri Johnson é uma daquelas figuras que o público brasileiro reconhece à distância. Seja pelo carisma ou pelos personagens cômicos, o ator carrega consigo uma identidade visual inconfundível: sua pinta no rosto. O que poucos sabem, no entanto, é que essa característica física quase foi eliminada por imposição do mercado no início de sua trajetória.
Em entrevista recente ao site Heloisa Tolipan, Eri relembrou que, no começo da carreira, foi aconselhado a passar por um procedimento para retirar a marca. O objetivo sugerido era evitar que ele ficasse "estigmatizado" por sua aparência. A resposta do ator foi um exemplo precoce de autoconfiança. “Lá no começo, sugeriram tirar para não ficar marcado como 'aquele ator que tem uma pinta no rosto’. Eu saí da sala dele pensando: ‘Eu quero ser esse ator aí, marcado, que tem a pinta no rosto’", declarou.
Para quem sente saudade de ver o ator na tela diariamente, a notícia não é das mais animadoras. Eri explicou que, nesta fase da vida, suas prioridades mudaram e a rotina exaustiva de gravações de um folhetim já não cabe em sua agenda ou em seus desejos pessoais. "Eu não tenho mais tempo para isso, não. Eu não me vejo também porque eu fui de uma época em que eu gostei muito de trabalhar em cima de felicidade... Eu não tenho tempo nem interesse em fazer novela, mas sou muito grato", afirmou com sinceridade.
A trajetória de Eri é marcada por uma versatilidade que o levou de papéis densos a fenômenos do humor. Sua estreia, que agora pode ser revista na reprise de "Hipertensão" (1986) no Globoplay, abriu portas para personagens inesquecíveis, especialmente nas obras de Gloria Perez. Quem não se lembra do gótico Reginaldo em "Felicidade" ou do icônico Ligeirinho em "O Clone", que eternizou bordões que o público repete até hoje? Além da atuação, ele se tornou um mestre dos palcos com o espetáculo "Eri Pinta Johnson", onde suas imitações especialmente a de Roberto Carlos tornaram-se um capítulo à parte em sua história artística.