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Apagão em SP: Aneel aponta falhas em gestão de crise da Enel
Aneel concluiu que atuação da Enel no apagão que atingiu 4,4 milhões em São Paulo, em dezembro do ano passado, foi “insatisfatória”
12/02/2026 11h59
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Edi Sousa - 07.nov.2023/Estadão Conteúdo

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) classificou como “insatisfatória” a conduta da Enel durante a crise energética que deixou 4,4 milhões de pessoas no escuro em São Paulo, em dezembro de 2025. O parecer técnico detalha negligências na gestão de crises, conservação preventiva deficiente e dados operacionais desencontrados.

O relatório da agência reguladora aponta uma “baixa produtividade” no trabalho de campo. Com uma média de apenas 2,82 reparos por grupo, o desempenho foi considerado muito inferior ao necessário. Embora a concessionária tenha mobilizado 1.500 frentes de trabalho, a Aneel identificou um “elevado percentual” de profissionais sem experiência rotineira em situações de emergência.

Outro ponto crítico foi a concentração de pessoal apenas em horário comercial (8h às 17h), deixando a rede desassistida nos momentos mais silenciosos do dia:

“No dia 11/12/2025, por exemplo, enquanto 60% do efetivo atuava no horário comercial, apenas 10% permanecia em campo durante a madrugada, o que resultou em uma resposta insuficiente diante da magnitude do evento”, destaca o documento.

A investigação revelou que aproximadamente 59% dos incidentes foram provocados pela força dos ventos, resultando em fiações rompidas ou frouxas e danos estruturais.

A estratégia logística também foi questionada: a Enel privilegiou o uso de motocicletas em detrimento de caminhões, o que, segundo a agência, acabou “dificultando assim a execução dos serviços mais complexos de restauração da rede elétrica”.

Houve ainda uma grave inconsistência na transparência das informações. Inicialmente, a empresa relatou 2,2 milhões de unidades consumidoras afetadas, mas depois “atualizou” o número para o dobro: 4,4 milhões.

Municípios com maior tempo de interrupção:

Devido à gravidade, o Ministério de Minas e Energia já sinalizou que pretende pedir a extinção (caducidade) da concessão da Enel.

O Posicionamento da Concessionária

Em sua defesa, a Enel sustenta que agiu com transparência e que respeitou as metas do plano de recuperação de 2024. A empresa alega ter colaborado com o órgão regulador enviando provas técnicas de suas ações.

“Ao longo de todas as fiscalizações, a empresa colaborou de maneira transparente com o regulador, apresentando dados técnicos que comprovam o cumprimento dos indicadores e as ações realizadas nos recentes eventos climáticos”, afirmou em nota.

A distribuidora argumenta que, apesar da intensidade do clima, a normalização do sistema foi mais ágil do que em crises anteriores:

“Apesar da severidade do evento climático registrado em 10 e 11 de dezembro, com ventos prolongados, a Enel São Paulo restabeleceu o serviço aos clientes mais rapidamente do que em outubro de 2024. Ao longo dos dias, inclusive nas primeiras 24 horas, a distribuidora mobilizou um número superior de equipes em relação aos parâmetros previstos nos planos de contingência e recuperação”, concluiu.