O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu que o Tribunal suspenda o pagamento do salário do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Marco Buzzi, enquanto durar seu afastamento cautelar do cargo. A solicitação foi apresentada nesta quinta-feira (12), sob justificativa de gravidade das acusações e necessidade de preservar princípios como moralidade e eficiência administrativa. Procurado pelo g1, o TCU informou que o processo ainda não foi formalmente aberto.
O magistrado está afastado após decisão unânime dos ministros da Corte, tomada nesta terça-feira (10), enquanto é investigado por suspeita de importunação sexual. A medida é provisória e uma nova sessão foi marcada para 10 de março, quando serão analisadas as conclusões da sindicância. Até lá, ele segue impedido de atuar, mas continua recebendo salário normalmente, que ultrapassa os R$ 41 mil mensais, além de vantagens e indenizações.
A defesa reagiu ao afastamento e declarou “irresignação” com a decisão, alegando ausência de risco à investigação e lembrando que o ministro já estaria afastado para tratamento médico. Os advogados sustentam que a medida cria “um arriscado precedente de afastamento de magistrado antes do crivo do pleno contraditório” e afirmam que trabalham para reunir elementos que permitam análise serena dos fatos.
A denúncia que desencadeou a crise envolve o relato de uma jovem de 18 anos, que acusa o magistrado de conduta inadequada durante encontro no litoral catarinense. O caso é investigado em sigilo e tramita em diferentes frentes, incluindo apuração disciplinar e criminal. O ministro nega as acusações, afirma ter sido surpreendido pelas insinuações e sustenta que demonstrará inocência, enquanto a família da jovem cobra rigor nas apurações.