O anúncio da megapresentação de Shakira na Praia de Copacabana, agendada para maio de 2026, trouxe consigo um imbróglio jurídico que coloca a estrela colombiana no banco dos réus em solo brasileiro. Enquanto o público celebra a confirmação da artista como a grande estrela do evento "Todo Mundo no Rio", a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro analisa uma acusação de plágio que envolve um de seus maiores trunfos comerciais recentes: a faixa "BZRP Music Sessions Vol. 53", vencedora de dois Grammys Latinos em 2023.
A controvérsia foi iniciada por cinco compositores brasileiros que sustentam que o hit mundial não é fruto de uma inspiração isolada, mas sim de uma apropriação indevida de elementos estruturais da música "Tu Tu Tu", composta em 2019 e gravada pela dupla May & Karen. Segundo o grupo, as semelhanças melódicas e rítmicas superam o que se espera de coincidências dentro do gênero pop, ferindo direitos de propriedade intelectual que deveriam ser protegidos pela legislação nacional.
OUÇA "Tu Tu Tu":
Ouça e compare: "BZRP Music Sessions Vol. 53"
Do outro lado da disputa, a Sony Music já apresentou sua linha de defesa, argumentando que as partes citadas no processo são, na verdade, "clichês musicais" fórmulas e progressões recorrentes na indústria fonográfica que não podem ser apropriadas por um único autor. O embate jurídico agora se concentra em definir a linha tênue que separa a influência criativa da reprodução ilegal, um desafio técnico que exige perícias minuciosas sobre a composição de ambas as obras.
Além da esfera cível, onde os brasileiros pleiteiam indenizações, participação nos lucros e o reconhecimento oficial da coautoria, o caso tomou contornos mais severos ao ser levado à Polícia Federal. Uma investigação criminal foi solicitada para apurar possíveis violações de direitos autorais sob a ótica penal.