A Acadêmicos de Niterói encerrou sua breve passagem pela elite do Carnaval carioca de forma dramática, sendo rebaixada para a Série Ouro após uma apuração melancólica nesta quarta-feira (18). A escola, que apostou todas as suas fichas no polêmico enredo "Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", não conseguiu convencer os jurados e terminou em último lugar, somando apenas duas notas dez durante toda a leitura dos quesitos.
Na Sapucaí, a agremiação não economizou em provocações: a comissão de frente encenou a posse presidencial com representações de figuras do STF e ex-presidentes, enquanto carros alegóricos disparavam críticas diretas à gestão de Jair Bolsonaro e ao período da pandemia.
A tensão atingiu o ápice com a ala "Neoconservadores em conserva", que gerou revolta imediata na bancada evangélica ao colocar famílias e adereços religiosos dentro de latas, sob um tom de sátira ácida. No entanto, o que garantiu a queda não foi apenas o conteúdo ideológico, mas o caos técnico na pista. A escola enfrentou problemas graves de dispersão, com alegorias presas que travaram o fluxo da avenida e forçaram uma correria desesperada no final da apresentação.
Entre aplausos do presidente Lula nas redes sociais e ameaças de novos processos por uso indevido de verbas públicas, a Acadêmicos de Niterói se despede do Grupo Especial deixando um rastro de discórdia e uma nota baixa difícil de digerir.