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VIRGINIA DEU AZAR PARA A GRANDE RIO?
Com notas baixas, incluindo em bateria, a escola de Duque de Caxias termina o Carnaval 2026 em oitavo lugar
19/02/2026 13h00 Atualizada há 6 meses
Por: Flávio Melo
Imagem: Instagram/@virginia

Quando anunciaram Virginia Fonseca como rainha de bateria da Acadêmicos do Grande Rio, o carnaval deixou de ser apenas uma festa popular. Virou trend, virou corte. A folia passou a disputar espaço com o algoritmo.

Neste ano, a escola de Duque de Caxias cruzou a avenida sob olhares atentos. E, quando o resultado veio — oitavo lugar — a torcida silenciou. Para uma agremiação acostumada a brigar pelo topo, foi um banho de água fria. O gosto foi amargo. E, inevitavelmente, o nome de Virginia entrou nas rodas de conversa.

Não apenas pela colocação, mas pela performance.

Rainha de bateria não é cargo decorativo. É resistência física, é entrega, é domínio do samba no pé. É liderança simbólica diante de uma comunidade inteira que se prepara o ano todo. No entanto, a imagem que mais viralizou foi a de uma rainha visivelmente cansada, tentando encontrar o compasso em meio à pressão.

O costeiro de 12 quilos — pesado demais para uma estreante sustentar — precisou ser retirado durante o percurso no sambódromo. O adereço a impediu de sambar com liberdade. E ali, diante de milhões, o brilho deu lugar à preocupação.

Carnaval é espetáculo, mas também suor e pertencimento. Quando a fantasia pesa mais do que a experiência, algo sai do eixo. Com a retirada do costeiro, ficou a sensação de que, em determinado momento, a escola orbitou mais em torno da celebridade do que do próprio enredo — como se a narrativa tivesse sido engolida pela personagem.

Mas a culpa, se é que há culpados, não é da influencer, e sim da agremiação, que a colocou como principal trunfo do carnaval carioca. Na Sapucaí, cada componente carrega a história da comunidade. Quando o foco se desloca demais para um único nome, a balança perde o equilíbrio. Visibilidade não substitui vivência. Fama não substitui fundamento.

O oitavo lugar deixa uma pergunta ecoando mais alto que qualquer bateria: até que ponto vale transformar tradição em estratégia de engajamento?

Entre sins e nãos, é certo afirmar que, na passarela do samba, o número de seguidores não impressiona. No carnaval, o único número que importa é a nota 10.

Fica para 2027!