Notícias Caso Cão Orelha
Jornalista responsável pela cobertura do caso do Cão Orelha sofre ameaças na web; entenda o caso
A jornalista Patrícia Calderón, correspondente do portal Leo Dias na Espanha, tornou-se peça-chave e, simultaneamente, alvo de intimidações após expor detalhes cruciais que ajudaram a identificar os responsáveis pelo crime
19/02/2026 11h22 Atualizada há 6 meses
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Patrícia Calderón - Reprodução: Instagram

A investigação sobre a brutal morte do cão Orelha, em Florianópolis, ganhou contornos de tensão que ultrapassam as fronteiras brasileiras. A jornalista Patrícia Calderón, correspondente do portal Leo Dias na Espanha, tornou-se peça-chave e, simultaneamente, alvo de intimidações após expor detalhes cruciais que ajudaram a identificar os responsáveis pelo crime.

Mesmo à distância, Patrícia mergulhou no caso com afinco, obtendo áudios e vídeos exclusivos que mostravam a "arruaça" de um grupo de adolescentes na Praia Brava pouco antes da agressão fatal ao animal. Sua determinação foi tanta que o próprio Leo Dias chegou a elogiar publicamente a postura da colega, destacando que ela "não aceita um não como resposta".

No entanto, o jornalismo investigativo cobrou seu preço. Relatos publicados pela própria jornalista mostram que ela sofreu tentativas de intimidação por perfis digitais falsos, no intuito de afastá-la do caso. A estratégia de silenciamento não parou nela: a Polícia Civil de Santa Catarina chegou a indiciar três adultos (pais e um tio dos menores) por coação no curso do processo, após tentarem intimidar um porteiro que também detinha provas contra os jovens.

A comunicadora revelou que recebeu ligações com ameaças de forma sarcástica e velada. “Cuidado pra não se arrepender depois” e “Depois não adianta chorar" são alguns exemplos.

Em uma live em suas redes sociais, Calderón se manifestou publicamente a respeito das ameaças:

"Não é a primeira vez que acham que por terem 'autoridade, sobrenome', vai lá saber o quê, podem pegar um telefone e tentar, de forma velada, ameaçar, porque é como as pessoas intimidam, ameaçam e coagem. Mas eu já sei quem é quem no jogo do xadrez".

O clima de revolta social em torno do cão Orelha gerou um efeito colateral perigoso: o "justiceirismo" digital. Enquanto a jornalista enfrentava a pressão direta de desconhecidos, um casal de advogados e médicos foi erroneamente associado aos pais dos agressores na internet, passando a receber graves ameaças de morte. O episódio acendeu um alerta sobre como a busca por justiça pode transbordar para a barbárie quando guiada pela desinformação.

Confira:

 

Jornalista do Léo Dias afirma que foi ameaçada pelos próprios pais dos assassinos do Orelha. Ela diz que recebeu ligações com ameaças de forma sarcástica e descobriu de quais pais vieram. Exemplos de ameaças: “Cuidado pra não se arrepender depois” “Depois não adianta chorar.” pic.twitter.com/SR9rAUdwNW

— insta: @kaarolzx (@kaarolzx) February 19, 2026