O ator Wagner Moura fez declarações contundentes sobre autoritarismo, injustiça e o atual clima sociopolítico nos Estados Unidos. Enquanto divulga o filme "O Agente Secreto", indicado a quatro categorias no Oscar, o artista comentou a atuação do Immigration and Customs Enforcement (ICE) e as situações enfrentadas por latinos no país.
Morando em Los Angeles com a esposa, a fotógrafa Sandra Delgado, e os três filhos, Moura afirmou que a tensão entre o Estado e os cidadãos o preocupa pessoalmente. Em entrevista ao jornal El País, ele disse ter medo de se deparar com agentes do ICE e questionou como reagiria diante de situações que considera injustas.
Estamos passando por um momento realmente difícil. Até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de forma explosiva quando vejo injustiça ou autoritarismo. E agora não sei se conseguiria, porque aqueles desgraçados podem matar, como vimos.
O ator destacou ainda que o temor não é isolado. Segundo ele, muitos latinos estariam evitando sair de casa por receio de ações migratórias. “Conheço muitos latinos que estão escondidos em casa, sem levar os filhos à escola. Vivemos tempos muito tristes”, declarou.
Wagner também traçou paralelos entre o cenário norte-americano e o contexto político recente do Brasil. Ele citou o período do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que há padrões semelhantes na retórica contra artistas, jornalistas e universidades.
É curioso como os mesmos padrões que ocorreram no Brasil estão se repetindo. Por exemplo, demonizando atores, artistas, jornalistas e universidades. A extrema direita no Brasil foi muito eficaz em transformar artistas brasileiros em inimigos do povo aos olhos do público, com a retórica de que essas pessoas vivem às custas do dinheiro público. Ou como conseguiram fazer a verdade desaparecer.
Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Garagem Cultural por Diogo Bueno (@garagemcultural_dibueno)