Servidores do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) se passaram por clientes da Blaze para reunir provas que embasaram a ação civil pública movida contra a plataforma de apostas e a influenciadora Virginia Fonseca.
Segundo documentos do processo de 855 páginas, obtidos pela CNN Brasil, a Promotoria do Consumidor realizou um monitoramento das comunicações promocionais enviadas pela empresa aos usuários cadastrados, preservando todas as evidências digitais coletadas durante a investigação.
De acordo com o promotor Paulo Binicheski, responsável pela ação, os investigadores capturaram e-mails publicitários enviados pela Blaze diretamente pela plataforma Gmail, armazenando os documentos em formato PDF com preservação dos metadados, como remetente, destinatário, data, horário e conteúdo completo das mensagens.
"O objetivo foi monitorar as comunicações promocionais e de marketing da operadora, garantindo a preservação da cadeia de custódia digital dos documentos obtidos", registra o promotor na ação.
A chamada cadeia de custódia é o procedimento utilizado para garantir a autenticidade das provas, registrando todo o histórico da evidência desde sua obtenção até sua utilização no processo judicial, evitando alterações ou substituições do material coletado.
Segundo o MPDFT, as mensagens analisadas demonstram que a Blaze adotava uma estratégia contínua de envio de campanhas publicitárias direcionadas aos consumidores cadastrados. Ainda conforme a ação, o conteúdo utilizava linguagem persuasiva, criava sensação de urgência e oferecia benefícios considerados altamente atrativos para incentivar a realização de apostas.
A investigação faz parte da ação civil pública em que o Ministério Público pede a condenação da Blaze e de Virginia Fonseca ao pagamento de R$ 120 milhões por danos morais coletivos. O processo ainda aguarda decisão da Justiça.