Jornal afirma que Vorcaro quer delatar integrantes do governo Lula

Os dados do depoimento, mantidos sob sigilo judicial, vieram a público na quarta-feira (2) por intermédio da coluna do jornalista Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo

03/09/2026 às 13h35
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Ana Paiva/Valor/Agência O Globo
Reprodução: Ana Paiva/Valor/Agência O Globo

Durante depoimento realizado recentemente perante o gabinete do ministro André Mendonça, integrante da Suprema Corte brasileira, o banqueiro Daniel Vorcaro manifestou o propósito de firmar um pacto de delação premiada mirando figuras centrais da atual gestão administrada pelo chefe de Estado Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Adicionalmente, o proprietário do Banco Master mencionou um suposto vínculo mantido com Andrei Rodrigues, atual chefe máximo da Polícia Federal. Os dados do depoimento, mantidos sob sigilo judicial, vieram a público na quarta-feira (2) por intermédio da coluna do jornalista Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo.

“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar”, teria declarado o executivo.

Segundo o relato, os comissários da corporação policial teriam impeditivos formais aplicados às conversas do acordo com o intuito de acobertar Rodrigues. Vale ressaltar que tanto a instituição policial quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) já recusaram duas investidas de colaboração propostas pelo financista.

O empresário também teria afirmado ter embarcado em deslocamentos conjuntos com Rodrigues no alvorecer das diligências referentes à Operação Compliance Zero. No entanto, o delator não exibiu nenhum elemento comprobatório para fundamentar as imputações, assim como omitiu quem teria arcado com os custos das jornadas.

Conforme apuração do jornal, pessoas próximas ao comandante da PF refutam qualquer proximidade com o dono do Banco Master, pontuando que ele compareceu tão somente a um único compromisso cultural custeado pela entidade bancária em Londres.

No mesmo dia, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, avaliou que o banqueiro deixou de trazer provas palpáveis para respaldar as investidas contra os encarregados das investigações, posicionando-se favoravelmente ao encerramento e arquivamento do termo de declarações. "Do exame acurado dos termos da oitiva prestada, constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas", manifestou o chefe do parquet.

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