
Flávio Dino causou tensão durante a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (15), ao insinuar que o ministro Luiz Fux teria recebido mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Além de Fux, Dino indicou que outros integrantes da Corte também poderiam ter mantido contato com o empresário.
“A 15 dias de uma eleição, o tribunal se expõe, e veja, sem ponto final, presidente. Acho que Vossa Excelência não se deu conta disso, porque Vossa Excelência, além de marcar esta sessão desastrada, ainda marcou uma outra na próxima semana. E nas próximas semanas, Vossa Excelência está condenado a marcar dezenas de sessões iguais a esta”, afirmou Dino.
Diante da declaração, o presidente do STF, Edson Fachin, questionou: “Por que, ministro?”. Dino respondeu mencionando mensagens atribuídas a Fux, Kassio e André Mendonça.
Fux, então, negou ter trocado mensagens com Vorcaro. “Mensagens comigo não tem”, afirmou. Dino rebateu imediatamente: “tem sim, ministro”.
O embate aconteceu durante o julgamento que analisava a abertura de investigação relacionada a supostas mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
A sessão também foi marcada por outros momentos de tensão entre ministros, incluindo uma discussão entre André Mendonça e Gilmar Mendes. Após a declaração de Paulo Gonet, os dois protagonizaram um bate-boca.
Gilmar interrompeu Mendonça e afirmou: “É impressionante a desfaçatez desse sujeito”. Mendonça rebateu: “Desfaçatez de vossa excelência. Me respeite”.
Gilmar respondeu: “Pode chorar”. “Aqui não tem choro não. Respeite”, concluiu Mendonça.
Na sequência, Flávio Dino pediu vista e afirmou que o debate estava “degradando” o STF. Na segunda parte da sessão, os ministros analisaram uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes para reunir os processos relacionados a Moraes e Mendonça.
O placar terminou em 4 a 4 a favor da proposta de Gilmar antes da interrupção, com o pedido de vista de Dino suspendendo a análise.