O início da possível liberdade de Bolsonaro começou com o julgamento do STF; entenda

Aliados do candidato do PL avaliam que se desenha uma oportunidade futura para reexaminar as sentenças relativas aos atos de depredação de 8 de janeiro de 2023

17/09/2026 às 11h07
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: JOTA
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Reprodução: Miguel Schincariol/AFP
Reprodução: Miguel Schincariol/AFP

O candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) tenta reformular a imagem pública de sua família, marcada por controvérsias, mas faz questão de frisar seu sobrenome e promete cruzar a rampa do Palácio do Planalto acompanhado por seu pai, o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL), a quem caberia a entrega da faixa. As informações são do portal JOTA.

A principal meta do senador é retirar o pai da detenção domiciliar na qual cumpre pena há 12 meses, jornada que teve um marco recente na sessão do STF iniciada em 15 de setembro. Embora o caso da tentativa de golpe, que resultou em uma condenação de 27 anos e três meses para Jair, seja distinto das denúncias ligadas ao banco Master, o cenário cria uma brecha para contestar os veredictos desfavoráveis ao ex-presidente e a cúpula militar.

Nesse contexto, correligionários do candidato do PL avaliam que se desenha uma oportunidade futura para reexaminar as sentenças relativas aos atos de depredação de 8 de janeiro de 2023. De forma a tentar se blindar, o ministro Alexandre de Moraes estruturou sua defesa invocando sua atuação na apuração golpista e alegando sofrer retaliação: "trata-se de vingança dos golpistas".

Moraes encerrou seus argumentos, protocolados pouco antes da decisão do plenário sobre a abertura de inquérito contra ele, sustentando que a ofensiva antidemocrática apenas alterou sua estratégia, conectando acontecimentos pretéritos ao cenário vindouro. Paralelamente, sondagens eleitorais indicam que o desgaste gerado pelas acusações contra o magistrado tem impulsionado a campanha de Flávio.

Um triunfo do parlamentar representaria um revés direto a Moraes, que enfrenta o risco de perder longevidade no tribunal caso não seja afastado no decorrer do ano, uma vez que o movimento bolsonarista busca retaliação. Além de prever a anulação das condenações do golpe, a vitória abriria caminho para que Flávio reconfigure a composição da Suprema Corte, podendo indicar até cinco novos ministros em decorrência da esperada saída de Moraes.

Como alternativas mais céleres para a soltura, o grupo político estuda a concessão de um indulto ou a aprovação de uma anistia legislativa. A pauta ganhará total prioridade do senador no Congresso, mostrando que as discussões sobre o ajuste fiscal não serão sua única pauta caso conquiste o Executivo, lembrando que o Supremo já havia paralisado, no mês de maio, a lei da dosimetria validada anteriormente pelos parlamentares.

A estratégia do grupo é destravar a anistia ainda no segundo semestre para viabilizar a promessa de subir a rampa presidencial ao lado do pai em 5 de janeiro, beneficiando também oficiais condenados por participação na intentona golpista, a exemplo do general Walter Braga Netto e do almirante Almir Garnier. Dessa forma, Flávio cumpre a diretriz lançada publicamente por Jair Bolsonaro durante ato na Avenida Paulista no ano anterior, que exigia "passar uma borracha em tudo que aconteceu".

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