Acusado de coagir funcionários a não votarem em Lula, Rico Melquiades se retrata e vira alvo de processo milionário

Influenciador se retratou nas redes sociais após investigação por possível coação eleitoral e agora é alvo de ação do MPT em Alagoas

18/09/2026 às 18h58 Atualizada em 18/09/2026 às 18h59
Por: Mateus Pereira
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Fotos: redes sociais
Fotos: redes sociais

O influenciador Rico Melquiades publicou, nesta sexta-feira (18), uma retratação após o vídeo que motivou uma investigação do Ministério Público Eleitoral de Alagoas (MPE-AL) por possível coação eleitoral. Na gravação, o artista pediu desculpas aos trabalhadores que tenham se sentido ofendidos e afirmou reconhecer a responsabilidade que possui diante do público e das leis trabalhistas e eleitorais.

“Na condição de influenciador, tenho a plena consciência da minha responsabilidade com o público e do meu compromisso com as leis trabalhistas e também eleitorais. Hoje, eu quero vir a público pedir desculpas a todos os brasileiros e aos trabalhadores. Nenhum funcionário deverá sofrer qualquer tipo de coação ou imposição por parte de seu empregador”, declarou Rico.

O influenciador também defendeu o respeito à liberdade política dentro do ambiente profissional. “O respeito no ambiente de trabalho deve ser mútuo, garantindo a liberdade de expressão, de opinião política e o direito do voto livre e secreto. Vivemos em uma democracia e precisamos respeitar uns aos outros, sem jamais ultrapassar os limites previstos pela Constituição”, afirmou. Rico ainda explicou que as quatro mulheres que aparecem no vídeo são familiares e, segundo ele, participaram da gravação com consentimento.

A investigação do MPE-AL foi instaurada em 14 de setembro, após a publicação do vídeo no dia 12. Segundo o órgão, a gravação mostrava Rico questionando uma das mulheres sobre sua preferência político-partidária e afirmando repetidamente que ela estaria demitida, além de mencionar que era responsável pelo pagamento do salário. O caso foi encaminhado à Polícia Federal para apuração na esfera criminal, diante da possibilidade de enquadramento no artigo 301 do Código Eleitoral.

Ação milionária contra Rico

Paralelamente, o Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT/AL) moveu uma ação civil pública contra Rico. O órgão sustenta que teria ocorrido assédio eleitoral contra funcionárias domésticas, além de exposição de dados pessoais e constrangimento nas redes sociais. A ação tramita na 11ª Vara do Trabalho de Maceió e inclui pedido de tutela de urgência, 18 obrigações e uma indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos.

Entre as medidas solicitadas pelo MPT estão a garantia de que trabalhadores possam exercer livremente o voto, sem ameaças ou descontos salariais; a proibição de exigências de alinhamento político; a retirada de publicações consideradas constrangedoras envolvendo funcionários; e a publicação de uma retratação nas redes sociais com destaque semelhante ao conteúdo original. Em manifestação apresentada na ação, o órgão afirma que o comportamento atribuído ao influenciador teria buscado “manipular, orientar ou direcionar o voto dos trabalhadores”. O processo aguarda decisão da Justiça do Trabalho de Alagoas sobre o pedido de urgência.

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