
O atacante David Corrêa, do Vasco, tornou-se réu em um processo que investiga suspeitas de financiamento ao tráfico de drogas e participação em organização criminosa. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo e recebida pela Justiça estadual. Segundo o Uol, entre as medidas cautelares determinadas está a entrega do passaporte do jogador, que também fica proibido de deixar o território nacional sem autorização judicial.
O caso é um desdobramento da Operação A Tropa, deflagrada em agosto de 2026 pela Polícia Civil capixaba para investigar uma organização suspeita de envolvimento com tráfico interestadual de drogas e armas, lavagem de dinheiro e possíveis conexões com o Comando Vermelho. O jogador já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão em sua residência, na Barra da Tijuca, e no centro de treinamento do Vasco, no Rio de Janeiro.
A investigação ganhou repercussão após a análise de um celular apreendido durante a apuração de uma tentativa de homicídio ocorrida em março de 2024, na cidade da Serra, no Espírito Santo. Segundo informações divulgadas pelo delegado Rodrigo Sandi Mori, foram encontradas mensagens atribuídas a David em conversas com Edson Vander da Silva Júnior, apontado pela polícia como traficante e ex-agente do atleta.
Em um dos diálogos mencionados pela investigação, após receber a fotografia de uma arma, David teria respondido: “Tem que matar um para ver de qual é”. Em outra conversa, ao receber informações sobre uma pessoa que havia sido vítima de uma tentativa de homicídio, teria escrito: “Mereceu tomar uns tiros mesmo”. As mensagens integram o material utilizado pela investigação e ainda serão submetidas à avaliação judicial.
A Polícia Civil havia solicitado a prisão preventiva do jogador e o bloqueio de seus bens. O Ministério Público, entretanto, manifestou-se contra essas duas medidas, defendendo a aplicação de restrições cautelares. A Justiça acolheu essa alternativa, determinando que David apresente o passaporte, não mantenha contato com outros investigados e testemunhas e compareça periodicamente às autoridades judiciais.
Nesta sexta-feira (30), a Polícia Civil do Rio de Janeiro também intimou o atacante a comparecer à 14ª Delegacia de Polícia, no Leblon, para apresentar o documento e tomar conhecimento das determinações judiciais. A defesa do jogador nega envolvimento com atividades criminosas. O recebimento da denúncia significa que ele responderá à ação penal, mas não representa uma condenação. A investigação e o processo continuam em andamento.