Ex-funcionários relatam rotina de controle e exploração na casa de Hytalo Santos

Investigação do Ministério Público da Paraíba aponta que adolescentes eram mantidos sob controle rígido, explorados em vídeos com apelo sensual e impedidos de frequentar a escola.

18/08/2025 às 10h51 Atualizada em 18/08/2025 às 11h51
Por: Natália Raquel
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Hytalo Santos e Euro. Foto: Reprodução/Instagram
Hytalo Santos e Euro. Foto: Reprodução/Instagram

A prisão do influenciador Hytalo Santos e de seu marido, Israel Nata Vicente, em 15 de agosto, na cidade de São Paulo, revelou um esquema que, segundo o Ministério Público do Trabalho da Paraíba, envolve tráfico de pessoas, trabalho forçado e exploração sexual de adolescentes. A Polícia Civil também participa das investigações, que começaram após uma série de denúncias feitas por ex-colaboradores e divulgadas nas redes sociais.

O casal é acusado de aliciar adolescentes, principalmente de Cajazeiras (PB), para morar em sua mansão em João Pessoa, onde, de acordo com relatos, os jovens eram submetidos a uma rotina rígida e controlada. Testemunhas afirmam que os menores só podiam se alimentar, dormir ou usar o celular com autorização expressa dos dois. Um dos depoentes relatou que, em gravações para redes sociais, as crianças eram filmadas saindo para a escola, mas o trajeto era apenas encenação ao desligar as câmeras, elas permaneciam em casa.

Ex-funcionários relataram ainda a realização de festas frequentes na residência, com presença de adolescentes e consumo liberado de bebidas alcoólicas. “Todos bebiam, sem restrição”, disse um ex-colaborador. As condições da casa foram descritas como precárias, e a alimentação era rigidamente controlada por Hytalo.

Segundo o Ministério Público, a casa funcionava como um tipo de reality show. Os jovens produziam vídeos de danças e coreografias, alguns com apelo sensual, para serem monetizados em rifas, sorteios e parcerias com marcas. Uma das adolescentes teria engravidado durante o período em que esteve no local, mas sofreu um aborto. Outros tiveram a frequência escolar gravemente prejudicada.

A investigação também revelou que os pais dos adolescentes recebiam pagamentos mensais entre R$ 2 mil e R$ 3 mil para permitir que os filhos vivessem com o casal. Apesar disso, o Conselho Tutelar afirma que não foram registradas denúncias formais pelas famílias. A maioria delas é da cidade natal de Hytalo, no interior da Paraíba.

Com carreira iniciada em aulas de dança oferecidas em praças públicas, Hytalo Santos alcançou popularidade nas redes sociais, onde acumulou milhões de seguidores e passou a exibir uma rotina de luxo. A situação mudou após denúncias feitas pelo youtuber Felca, que levaram à suspensão da monetização de seus perfis no TikTok, YouTube e Instagram. As plataformas removeram as contas e divulgaram que reforçaram políticas contra exploração infantil.

Durante a prisão, os dois foram encontrados com quatro celulares cada. A polícia suspeita de tentativa de fuga. “A suspeita é que eles estavam sim tentando se evadir e sabiam já que seria expedido um mandado de prisão”, afirmou o delegado Fernando Davi. A defesa, no entanto, nega essa versão. Os advogados alegam que a viagem a São Paulo era turística e classificam as acusações como desproporcionais. “A ideia de exploração sexual que foi pintada transborda da realidade”, disse a equipe jurídica.

Após a detenção, os adolescentes foram encaminhados de volta às suas famílias. O Ministério Público da Paraíba reafirma que há provas consistentes de que os jovens foram submetidos a trabalho forçado e exploração sexual. As plataformas digitais envolvidas mantêm o bloqueio permanente das contas do influenciador e anunciaram medidas para evitar reincidência de conteúdos do tipo. O caso segue em investigação.

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