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De vítima a cúmplice? Entenda se Kamylinha pode se tornar alvo de investigação no caso Hytalo Santos
Advogado criminalista explica até que ponto a jovem pode responder judicialmente no processo que envolve o influenciador
19/08/2025 20h10 Atualizada há 1 ano
Por: Mateus Pereira
Foto: redes sociais

A prisão de Hytalo Santos e de seu marido, Israel Nata Vicente, continua gerando novos desdobramentos. O casal foi detido na última sexta-feira (15), sob acusações de exploração sexual de crianças e adolescentes e de trabalho infantil. O caso ganhou repercussão após a denúncia em vídeo feita pelo youtuber Felca, que expôs as problemáticas do conteúdo produzido pelo influenciador, muitas vezes envolvendo menores de idade.

Depoimentos em processos judiciais apontam que Hytalo se aproximou de Kamylinha,  um dos principais destaques de seus vídeos, quando ela tinha apenas sete anos. Aos dez, a menina já produzia conteúdos de dança para as redes sociais do influenciador. Hoje, aos 17, a jovem segue próxima a ele e chegou a publicar, na última segunda-feira (18), um vídeo chorando em sua defesa.

Para entender se Kamylinha pode ser investigada ou até mesmo denunciada, caso seja levantada a hipótese de participação dela na atração de outros menores para os vídeos de Hytalo, o Portal Felipeh Campos ouviu o advogado criminalista Dr. Gil Ortuzal. Segundo o especialista, a situação é complexa e deve ser analisada com cautela, por tratar-se ainda de uma menor de idade.

A questão da Kamylinha é bem delicada, tanto para ela quanto para o Hytalo. Ela pode ser considerada menor infrator, vítima e até ‘cúmplice’ no sentido literal, mas não criminal. O menor responde por ato infracional e o maior pelo crime. Se praticaram juntos, precisa analisar a situação para saber se o maior corrompeu o menor para tal ato.

O advogado acrescenta que Hytalo pode ser responsabilizado não apenas pelos atos cometidos por ele, mas também por possíveis condutas atribuídas a Kamylinha:

O Hytalo pode responder criminalmente por atos infracionais praticados por ela, se comprovada sua participação. Um exemplo seria o suposto aliciamento de outros menores, a pedido dele, para produção de vídeos com sexualização de crianças e adolescentes.

Na tarde desta terça-feira (19), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a prisão preventiva de Hytalo e de Israel Nata Vicente. A decisão foi tomada pelo ministro Rogerio Schietti Cruz, que negou o habeas corpus apresentado pela defesa do casal. Com isso, o influenciador seguirá preso enquanto avançam as investigações. O ministro reforçou que, mesmo diante de condições pessoais favoráveis, como residência fixa, tais elementos não são suficientes para afastar a prisão quando existem indícios consistentes de crimes graves.

Kamylinha e Hytalo (Foto: redes sociais)