Bolsonaro enviou mais de 300 mensagens para tentar driblar decisões do STF, diz Polícia Federal

O ex-presidente teria usado WhatsApp para compartilhar vídeos e mensagens que desrespeitariam decisões do STF

21/08/2025 às 13h15
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Jair Bolsonaro - Reprodução:Ton Molina/STF
Jair Bolsonaro - Reprodução:Ton Molina/STF

A Polícia Federal (PF) informou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disparou mais de 300 mensagens e vídeos pelo WhatsApp com o objetivo de driblar determinações do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os conteúdos compartilhados estavam registros da manifestação realizada em São Paulo em 3 de agosto de 2025 e referências a sanções da Lei Magnitsky aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes.

De acordo com a PF, Bolsonaro utilizava grupos administrados por terceiros para distribuir esse material em massa, contornando a restrição judicial. As publicações incluíam convites para atos de apoio, análises sobre possíveis reflexos econômicos das penalidades e gravações de políticos nacionais e estrangeiros que se posicionavam em sua defesa.

O ex-presidente, ao lado do filho Eduardo Bolsonaro, deputado federal afastado, foi formalmente acusado de coação durante o andamento de investigações e de tentar fragilizar o Estado Democrático de Direito. A apuração integra um inquérito sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023, que envolve oito investigados.

O relatório da PF também destaca trocas de mensagens entre Bolsonaro e aliados, como o deputado Capitão Alden (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Em um áudio citado no documento, Bolsonaro declarou que não poderia gravar mensagens diretamente para os manifestantes, mas autorizou uma chamada curta que acabou transformada em um vídeo de 55 segundos.

Outro ponto levantado pela corporação foi a omissão de repasses financeiros a familiares. Bolsonaro admitiu ter transferido R$ 2 milhões a Eduardo, porém os investigadores identificaram outros envios de recursos tanto para o filho quanto para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Uma das transferências, no valor de R$ 2 milhões para Michelle, aconteceu um dia antes do depoimento do ex-presidente à PF — movimento que, segundo os agentes, teria como finalidade proteger o dinheiro de possíveis bloqueios judiciais.

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