
A prisão de Cayo Lucas Rodrigues dos Santos, de 22 anos, nesta segunda-feira, 25, em Olinda (PE), revelou a atuação de uma rede criminosa que invadia sistemas de segurança do Estado e promovia crimes virtuais. Segundo a Polícia Civil de São Paulo, o jovem, conhecido pelos apelidos F4llen e Lucifage, é apontado como líder da organização chamada Country.
Do quarto em que vivia, Cayo teria acessado e manipulado plataformas como o Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), o sistema de malotes digitais do Poder Judiciário, a Receita Federal e bases de dados das polícias civis de São Paulo, Pernambuco e Ceará. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) classificou o conhecimento técnico do acusado como de “alto grau de periculosidade” e autorizou prisão temporária de cinco dias.
De acordo com os investigadores, a organização Country também lucrava com a venda de “serviços ilegais” em redes sociais, como invasões de sistemas e fraudes contra “clientes” que contratavam o grupo. Até agora, pelo menos 400 pessoas teriam sido vítimas da rede, que incentivava ainda automutilação, apologia ao nazismo e crimes sexuais virtuais, incluindo estupros virtuais de menores.
A Polícia Civil afirma que Cayo e o adolescente atuavam juntos desde o segundo semestre do ano passado. Além de ameaças e extorsões, o grupo teria manipulado registros do Detran e usado acessos ilegais para pressionar pessoas que não pagaram por serviços contratados.
Os dois presos foram levados à Delegacia de Crimes Cibernéticos do Recife e passarão por audiência de custódia. A investigação do Deic de São Paulo segue em andamento para identificar outros integrantes da organização.
O caso veio à tona após ameaças enviadas ao youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, que denunciou exploração sexual de crianças na internet em vídeo publicado no início de agosto. Cayo e um adolescente de 17 anos passaram a enviar mensagens de intimidação ao influenciador e também à psicóloga Ana Dornellas Chamati, que participou do material.
Nas mensagens, os criminosos citaram dados pessoais da família da psicóloga e fizeram ameaças explícitas de morte e violência sexual. Além disso, monitoramento da Polícia Civil paulista mostrou que Cayo chegou a inserir um mandado de prisão falso contra Felca no sistema do CNJ, numa tentativa de intimidar o influenciador.